As dificuldades das crianças com distúrbio de aprendizagem de se inserirem na escola
Enviada em 21/05/2020
Nise da Silveira foi uma importante psiquiatra no pioneirismo da arte como abordagem terapêutica. Isso foi uma revolução nessa área médica, pois ela enfrentou o tradicionalismo dos tratamentos como lobotomia e camisas de força e os trocou pelas tintas e expressão dos pacientes. No entanto, é raro encontrar mudanças tipo “Nise’s” na educação que auxiliem no processo de aprendizado de alunos que necessitam de atenção especial. Nesse contexto, cabe analisar a influência dos obstáculos presentes na escola no ensino de crianças com distúrbios de aprendizagem.
Mormente, deve-se falar da interferência da sobrecarga dos professores na identificação precoce de algum desvio. Graças ao modo de contratação de educadores por quantidade de turma e não por hora trabalhada, o docente necessita trabalhar em várias escolas ao mesmo tempo, o que afeta sua percepção quanto à razão das notas baixas em matemática de algum aluno, por exemplo, que pode ser uma discalculia. O professor cansado acaba interpretando o comportamento desse discente como falta de interesse pelos estudos e rebeldia. Como resultado desse quadro, a criança cresce com deficitário desenvolvimento escolar como desvios e confusões de ortografia, compreensão de textos prejudicada e baixa autoestima frente às constantes tentativas fracassadas de atender a demanda educacional, afinal, como disse Kant, “o homem é aquilo que a educação faz dele”.
Ademais, comenta-se da desvalorização da arte como aliada no ensino de pessoas disléxicas. Isso se deve ao pensamento pragmático na sociedade de formação de pessoas voltada somente para o mercado de trabalho e que considera as matérias matemática e de português altivas em relação à artística. O filme “Como estrelas na terra” é claro em mostrar esse cenário quando numa cena os professores riem de outro que usa música, roupas coloridas e maquiagem para potencializar o ensino de seus alunos e, assim, duvidam do preparo da classe para o futuro. O resultado disso é a inibição na busca de novas formas lúdicas e eficazes no combate ao atraso do aprendizado esperado de acordo com a idade e instância de escolaridade do portador de dislexia.
Portanto, é necessária a inspiração em Nise para revolucionar o modelo de educação no Brasil. É imperiosa a votação na Câmara de deputados federais a política de valorização dos professores, a nível nacional, com o ajuste do valor da hora/aula de maneira que o educador não precise lecionar em muitas turmas. Além disso, é importante o incentivo do Ministério da educação da arte como arma lúdica e funcional, em parceria com empresas, na distribuição de material como pincéis, tintas e outros aos docentes. Criam-se, assim, maneiras de conciliar e inserir a criança ao meio educacional e vencer barreiras e a exclusão social.