As dificuldades das crianças com distúrbio de aprendizagem de se inserirem na escola

Enviada em 05/07/2020

No filme “Como estrelas na Terra”, é apresentado um personagem com transtorno de aprendizagem e sua trajetória educacional, desde o seu diagnóstico até conseguir, pela primeira vez, aprender assuntos ensinados na escola. Fora do campo cinematográfico, a realidade brasileira de alunos com disfunções educacionais é ruim, visto que escolas não apresentam equipes profissionais para diagnosticar distúrbios e equipes pedagógicas especializadas para a realização do ensino desse grupo de crianças, o que mostra a negligência vinda do Estado para com a educação daqueles com mais dificuldades.

Em primeira análise, o desenvolvimento educacional de portadores de distúrbios de aprendizagem ocorre de forma dificultada. Tal cenário é perceptível desde a tenra idade, período em que crianças devem aprender a ler, escrever e contar. Apesar disso, aquelas com algum tipo de transtorno - dislexia, TDA, TDAH, etc.- passam a apresentar sinais de que não conseguem adquirir os conhecimentos ensinados em aulas, como, por exemplo, o atraso da fala, da linguagem e a falta de atenção. Logo, é essencial a existência de equipes médicas profissionais em escolas, capazes de identificar e diagnosticar alunos com disfunções o quanto antes, de forma que recebam tratamento desde cedo.

Em segunda análise, a presença de equipes pedagógicas especializadas é imprescindível. De certo, todas as instituições de ensino básico deveriam contar com grupos de professores - especializados em educação especial, psicólogos, fonoaudiólogos e mediadores - que acompanham de forma individual aqueles com dificuldades de aprendizagem, o que facilita o trabalho do pedagogo. Porém, apesar de ser um direito garantido pela Constituição, a realidade brasileira é muito diferente, na qual o Estado negligencia a educação, a qual, segundo Platão, é fundamental para formar cidadãos e distanciá-los da ignorância. Dessa forma, não ocorrem investimentos na construção de ambientes escolares qualificados para acolher crianças em várias situações psicológicas - com a instrução de docentes e contratação de outros profissionais necessários para o desenvolvimento dos que necessitam.

Portanto, medidas devem ser tomadas para a melhora da problemática. O Ministério da Educação deve fornecer aos professores materiais didáticos e cursos, com o objetivo de torná-los mais hábeis a lidar com discentes com distúrbios de aprendizagem e a formar metodologias de ensino mais eficazes. Ademais, é papel também do MEC, com auxílio do Ministério da Saúde, contratar profissionais como médicos, psicólogos, fonoaudiólogos etc, que acompanhem crianças especiais em escolas, visto que muitas famílias não conseguem pagar uma equipe profissional. Desse modo, como defendido por Platão, o conhecimento poderá formar vários indivíduos, até mesmo os com dificuldades.