As dificuldades das crianças com distúrbio de aprendizagem de se inserirem na escola

Enviada em 03/08/2020

Na série “Anne With An E”, situada em 1908, é retratada a mensagem de que é preciso aprender a respeitar e conviver com as diferenças, uma vez que a multiplicidade é inerente aos seres humanos. Semelhante a reflexão proporcionada pela supramencionada, pode-se observar no contexto brasileiro contemporâneo, as descomunais dificuldades enfrentadas pelas crianças com distúrbio de aprendizagem de se inserirem na escola. Esse cenário fatídico ocorre não somente pela falta de inclusão escolar a qual esses alunos são submetidos, bem como a escassez de estratégias e ferramentas pedagógicas, adotadas pela a escola, sem tentar homogeneizar as diferenças existentes.

Em primeira instância, consoante a fala da assistente terapêutica Carla Pimenta, a inclusão escolar é uma forma de inserção das pessoas com deficiência na sociedade, tendo como objetivo acolher, sem qualquer discriminação, a todos os indivíduos. Entretanto, constata-se que, no Brasil, cerca de 2,5 milhões de crianças e adolescentes com distúrbio de aprendizagem não estão matriculadas em uma rede de ensino, segundo o jornal G1. Logo, pode-se inferir que apesar da inclusão escolar ser o principal meio pelo qual os alunos com dificuldade de aprendizagem obtêm para se desenvolver, essa vicissitude ainda não é uma realidade, uma vez que a supracitada não atinge a todos.

Em segundo plano, é dever da escola criar ações estratégicas de inserção dos alunos com dificuldades de aprendizagem no âmbito escolar, a fim de valorizar as potencialidades e características de cada um. Outrossim, a Legislação Federal declarou, em 1996, a Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (LBD), na qual assegura atendimento e apoio técnico aos alunos com necessidades especiais. Por conseguinte, é muito importante que a escola atue de modo que o aluno possa prevalecer como sendo um ser pensante, capaz de fazer críticas, de fazer suas escolhas e até mesmo de se comunicar, sem que dependa totalmente de seu mediador(a) para esses mesmos fins.

Portanto, pode-se observar que o debate acerca da dificuldade das crianças com distúrbio de aprendizagem ingressarem na escola torna-se imprescindível para a construção de um mundo mais igualitário. Nessa lógica, é imperativo que o Ministério da Educação promova uma capacitação adequada a equipe pedagógica dos centros escolares por meio de campanhas, palestras e cartilhas educacionais, visando uma maior compreensão e sensibilidade por parte dos profissionais da área, para que os alunos com dificuldades de aprendizagem possam frequentar os seus respectivos ambientes escolares de modo que sintam-se parte da escola como um todo. Dessa maneira, a inclusão dos indivíduos carentes de uma atenção especial passaria a ser uma realidade atual mais significativa, fazendo com que a sociedade valorize tudo e todos que são diferentes.