As dificuldades das crianças com distúrbio de aprendizagem de se inserirem na escola

Enviada em 27/07/2020

No filme Preciosa, a personagem principal, Clarice, sofre sérios problemas em relação à aprendizagem. Na trama, a protagonista possui dislexia e discalculia, o que, posteriormente, culmina na evasão escolar da personagem e repulsas referentes ao próprio corpo. Tal situação não é pertinente somente na cinematografia, mas também na realidade contemporânea. Apesar das pautas relacionadas às dificuldades de aprendizagem estarem ganhando destaque nos cenários educacionais e familiares, ainda há defasagens expressivas nos repasses informacionais e nas bases de construções civilizadoras. Sendo assim, é necessário compreender as raízes socioculturais do problema.

Em primeiro plano, é válido analisar sob a ótica do educador Paulo Freire, o qual alega que só se aprende com as diferenças, não com as igualdades. A analogia de Freire está coligada às situações de alteridades e inclusões necessárias para que os portadores de distúrbios de aprendizagem possuam pleno acesso ao sistema educacional. Todavia, o que é fornecido pelas instituições não é conivente com as perspectivas de Paulo, já que há uma baixa infraestrutura escolar - dificultando a integração de alunos especiais -, bem como uma capacitação profissional incompleta. Portanto, isso está atrelado à inobservância familiar e pública, visto que há um ceticismo por parte de ambos na formação dos alunos.

Paralelo a essa perspectiva, é observado uma linha tênue entre as dificuldades de progressão e os descasos familiares e estudantis. Segundo o sociólogo Émile Durkheim, a família é o primeiro centro socializador, e quando não há estruturas fortificadas, todo o restante ficará comprometido. Desse modo, sem as informações essenciais desde as esferas fraternas, as confusões entre ser um distúrbio e, em contrapartida, ser desinteresse por parte do estudante, são comuns. Com isso, o diagnóstico precoce ficará comprometido, a escola não fará a ponte de apoio na íntegra, os alunos podem desencadear complexos de inferioridade e, posteriormente, evocarem as evasões escolares.

Diante dos expostos, medidas são necessárias para minimizar as defasagens nas bases inclusivas. Logo, cabe ao Ministério da Educação, junto as Prefeituras Municipais, a tarefa de disponibilizar cursos de capacitação para os professores - em horários à parte as horas comerciais -, como também destinar maiores verbas as construções escolares, por meio de leis aprovadas pela Câmara dos Deputados que regularizem o repasse monetário e os cursos, à vista de melhorar o local de acolhimento às crianças e os profissionais responsáveis pelas mesmas. Ademais, compete às famílias o dever de acompanhar de perto a vida dos filhos, por intermédio de terapias conjuntas, as quais irão unificar os vínculos e averiguar as dificuldades, com o fito de garantir um diagnóstico precoce e acelerar o processo de tratamento. Assim, espera-se que a vivência de Clarice seja apenas nas telas de cinema.