As dificuldades das crianças com distúrbio de aprendizagem de se inserirem na escola
Enviada em 27/07/2020
Zygmunt Bauman, em sua obra “Amor Líquido”, afirma que o valor das diferenças entre os indivíduos enriquece o mundo, tornando-o mais agradável e fascinante a todos. Entretanto, é inegável que ainda hoje existem enormes dificuldades de inserção das crianças com distúrbio de aprendizagem nas escolas, que, por serem diferentes, são desrespeitadas e excluídas socialmente, além de se depararem com falta de estrutura nas instituições de ensino para recebê-las e insuficiência de pesquisas sobre esse tema para ajudar no tratamento. Desse modo, é perceptível os desafios enfrentados por essas crianças no ambiente escolar, sendo imperante um olhar crítico sobre esse cenário, a fim de solucioná-lo.
Primeiramente, vale destacar que as pesquisas científicas sobre distúrbios de aprendizagem são rasos e recentes, pois ganharam relevância apenas a partir de 1980. Logo, é visível que a falta de informação acaba por ser o principal obstáculo para o tratamento de pessoas com esses distúrbios pois, apesar de ser uma dificuldade real, é muitas vezes confundida com falta de atenção ou desinteresse. No entanto, não é difícil encontrar indivíduos com esses problemas, visto que, de acordo com a psicopedagoga Tânia Freitas, cerca de 70% da população possui algum tipo de distúrbio de leitura e escrita. Destarte, o real problema é a falta de diagnósticos precoces, uma vez que, quanto antes identificado o problema, melhor será a vida da criança em relação à adaptação e ao tratamento, e sem eles isso só é dificultado.
Ademais, é preciso mencionar que os alunos que possuem esses distúrbios necessitam de tratamento especial, como garante o artigo 8° da Constituição Federal, que diz que as escolas devem se adaptar a tais necessidades com flexibilizações e adaptações curriculares. No entanto, é fato que muitas redes escolares não seguem esse decreto e não possuem a infraestrutura adequada para a inclusão desses alunos, por conta da incapacitação profissional de docentes e carência de atendimento pedagógico especializado. Consequentemente, essa realidade acaba se tornando um grande empecilho na vida da criança que possui distúrbio de aprendizagem, com escola não contribuindo no seu papel de socialização, deixando-as as margens do sistema e ajudando na exclusão social.
À luz desses fatos, portanto, é fundamental que seja dada mais atenção a essa realidade e é necessário que medidas sejam propostas para resolver essa problemática. Para isso, o Ministério da Educação deve investir nas instituições, fornecendo o apoio pedagógico adequado para que esses alunos possuam um acompanhamento de especialista, além de melhorar a capacitação dos professores para que aprendam a lidar corretamente com esses. O Ministério da Saúde, por sua vez, deve investir em pesquisas sobre esses distúrbios, visando alcançar os disgnósticos precoces. Espera-se, assim, um avanço no tratamento de tais males, e uma sociedade com maior aceitação e inclusão.