As dificuldades das crianças com distúrbio de aprendizagem de se inserirem na escola
Enviada em 02/08/2020
Na obra “A cidade do Sol”, do escritor renascentista Tommaso Campanella, é retratada uma sociedade utópica, na qual o corpo social padroniza-se pela ausência de conflitos e problemas. Entretanto, o descaso com as dificuldades das crianças que possuem distúrbio de aprendizagem de se inserirem na escola no Brasil, contraria a idealização formulada pelo filósofo. Nessa perspectiva, diante de uma realidade instável que mescla discussões sobre a falta de conhecimento dos familiares e sobre a ineficiência das instituições escolares, o entrave permanece afetando grande parcela da população e exige uma reflexão imediata.
A priori, é importante ressaltar a carência de informações a respeito das crianças portadoras do Transtorno do Déficit de Atenção com Hiperatividade (TDAH). De acordo com o Instituto Glia aproximadamente 5% das crianças e adolescentes brasileiros, entre 4 a 18 anos, sofrem de TDAH e 58% desse público não possuía o diagnóstico. Sob essa ótica, percebe-se que as famílias, por não pesquisarem sobre as doenças de ensino, confundem os sintomas como desinteresse e falta de atenção dos jovens o que dificulta a ida destes ao consultório médico. Logo, é substancial a mudança desse quadro.
Ademais, é fulcral pontuar que as atitudes no âmbito educacional favorecem a segregação das crianças e jovens com doenças de aprendizagem, afastando-as das outras crianças ao invés de incluí-las nas salas de aulas. Segundo o Educador e Filósofo Paulo Freire “ensinar não é transferir conhecimento, mas criar as possibilidades para a própria produção ou a construção”. Nesse contexto, as instituições de ensino não possuem infraestrutura adequada para recebê-las, visto que há falta de materiais e preparação dos docentes. Desse modo, é necessário a quebra dessa situação que prejudica a nação brasileira.
Portanto, medidas exequíveis são necessárias para conter o avanço da problemática. Assim, o Ministério da Educação, em parceria com a mídia televisiva, deve ampliar o assunto sobre o Transtorno do Déficit de Atenção com Hiperatividade nas escolas e nas residências, por meio de comerciais em horário nobre e de panfletagem, para que o acesso da população sobre o tema seja ampliado e que as famílias sejam orientadas sobre como agir nessa situação. Além disso, o Governo – órgão responsável pelo bem estar da sociedade- em parceria com as instituições escolares, deve melhorar a capacitação dos profissionais educadores, por meio de cursos sobre como agir com adolescentes portadores de doenças de aprendizagem, para que todos sejam incluídos no meio educacional. Somente assim, notar-se-á a sociedade ideal e perfeita especificada na utopia de Campanella.