As dificuldades das crianças com distúrbio de aprendizagem de se inserirem na escola
Enviada em 30/07/2020
Sabe-se que na obra “A República”, o filósofo grego Platão escreveu, por meio de uma metáfora, sobre a condição de ignorância que os seres humanos vivem. Ele apresenta o Mito da Caverna, com personagens que estão presos em uma caverna e se recusam a enxergar a realidade. De forma análoga, profissionais da educação e principalmente pais de alunos permanecem alienados e apresentam rejeição aos sinais de distúrbios de aprendizagem nas crianças. O preconceito e o despreparo das escolas faz com que eles sofram e se sintam incapazes. Desse modo, medidas para combater o infortúnio são essenciais, como o investimento em cursos preparatórios e palestras.
Em primeiro plano, deve-se analisar o porquê do assunto ser tão percursor de debates. O local de ensino que o aluno tem que frequentar precisa ser receptivo, além de pessoas que o entendam e possam dar o suporte necessário. Esse cenário nem sempre é encontrado no Brasil e a falta de investimento na preparação de profissionais e nas metodologias corretas para cada distúrbio, torna o problema mais agravante. Ademais, a ausência de conhecimento dos pais, transforma o processo traumatizante para o estudante, já que sem o acompanhamento de psicólogos e o diálogo em casa, a criança se sente incapacitada. Afinal, como já dizia Helen Keller, “o resultado mais sublime da educação, é a tolerância”, ou seja, para um bom convívio, é importante que o assunto seja discutido.
Dessa forma, é possível perceber as consequências do empecilho. De acordo com pesquisas divulgadas em artigo na revista especializada Science, até 10% da população tem algum transtorno de aprendizagem - como dislexia, discalculia, autismo ou desordem de atenção (déficit ou hiperatividade). Isso permite concluir que esses distúrbios não são problemas enfrentados por poucas pessoas, e por isso, deveriam oferecer mais chances para solucionar o cenário problemático. Além disso, a psicopedagoga Tânia Maria, explica que apesar da dificuldade em aprender, esses indivíduos possuem inteligência normal ou até mesmo superior à média. Esse fato ajuda a compreender que sem acompanhamento eles perdem a oportunidade de se tornarem cidadãos qualificados e confiantes.
Portanto, cabe ao governo, junto ao MEC, investir na preparação de profissionais, como professores e tutores, para uma educação especial, bem como nos recursos necessários para incluir crianças com algum transtorno nas escolas. Essa ação tem a finalidade de preparar um ambiente acolhedor para esses alunos, por meio de pessoas preparadas para realizar a tarefa de auxiliá-los. Outrossim, faz-se necessário que o MS promova palestras com os pais, por meio da ajuda de especialistas para apresentar maior credibilidade. A medida é urgente, a fim de que haja maior interação e diálogo entre escola e família para que esses não sejam alienados como na metáfora de Platão.