As dificuldades das crianças com distúrbio de aprendizagem de se inserirem na escola
Enviada em 31/07/2020
Promulgada pela Organização das Nações Unidas (ONU) em 1948, a Declaração Universal dos Direitos Humanos garante a todos os indivíduos o direito à educação e ao bem-estar social. Entretanto, o descaso com a inserção de crianças com distúrbio de aprendizagem impossibilita que uma parcela da população brasileira desfrute de seus direitos na prática. Isso ocorre, principalmente, devido à falta de profissionais qualificados e à omissão familiar - cenário que exige mudança.
A priori, vale ressaltar como a falta de acompanhamento adequado limita a cidadania do grupo em questão, uma vez que esta significa, em exercício, viver com dignidade. No livro “Cidadão de Papel”, Gilberto Dimenstein afirma que - apesar de ser um Estado democrático de direito e de todos os modernos códigos legais que regem o país - o Brasil ainda é negligente quando o assunto é educação qualificada para estudantes especiais, por isso a cidadania ainda não saiu do papel. Logo, é substancial a mudança desse quadro.
Ademais, tal problemática é diretamente estimulada pela negligência familiar, colocando em risco o desenvolvimento do aluno. Esse desleixo, segundo o sociólogo Zygmunt Bauman, é ocasionado pela modernidade líquida que sobrepõe as relações econômicas às relações sociais. Tal modernidade, influenciada pela alta tecnologia, impacta negativamente com uma crise de atenção e paciência por parte dos pais para com seus filhos - o que urge ser amenizado.
Infere-se, portanto, que são necessárias medidas para reverter essa situação. Para isso, o Governo Federal - responsável por garantir os Direitos Humanos - deve criar projetos que facilitem o estudo para crianças e adolescentes com transtorno de aprendizagem. Por meio da qualificação dos profissionais e acompanhamento psicológico, visando a democratização do acesso à educação e a descoberta do problema desde cedo. Sendo assim, poder-se-á aproximar-se da Declaração Universal dos Direitos Humanos e, por conseguinte, salvaguardar direitos igualitários.