As dificuldades das crianças com distúrbio de aprendizagem de se inserirem na escola

Enviada em 01/08/2020

A sociedade atual é resultante de fatores políticos, tecnológicos e culturais que trouxeram consigo retrocessos, como a perturbação de valores éticos. Deste modo, a banalização do diagnóstico do transtorno do déficit de atenção e hiperatividade, acaba por se tornar um problema que não é tratado com a importância que precisa. Cabe então, discutir as razões que tornam os responsáveis pelos pacientes e a sociedade empecilhos à solução desse impasse.

Em oposição ao que muitos pensam, o diagnóstico do TDAH exige uma avaliação profunda do comportamento do sujeito, uma vez que os principais sintomas desse distúrbio, desatenção e inquietude, são comuns a diversas doenças. Ou seja, apenas profissionais de saúde mental, como psicólogos e médicos psiquiatras, são capazes de identificar corretamente essa condição. Porém, muitos pais confiam a saúde de seus filhos a profissionais não especializados, que eventualmente realizam análises superficiais do quadro clínico da criança, resultando em um falso diagnóstico.

Assim, cabe apontar a influência da sociedade nesse contexto. Já está enraizada no discurso do senso comum a ideia de que, se uma criança é peralta e inquieta, ela é necessariamente hiperativa e possui TDAH. Segundo o sociólogo Émile Durkheim: “algumas ideias e comportamentos são particulares de cada indivíduo e determinam o seu modo de viver, porque fazem parte da cultura da sociedade” nesse caso, percebe-se que o desconhecimento de muitos acerca do assunto, acaba por agir como uma ideia de banalização do diagnóstico desse transtorno. Por conseguinte, a tendência é que as crianças continuem o tratamento com os fármacos, podendo causar alterações no sistema nervoso em casos de falso diagnóstico.

Portanto, a vulgarização do TDAH na sociedade atual é um problema que deve ser resolvido, os órgãos do poder público responsáveis pela Saúde devem promover treinamentos, destinados aos profissionais de hospitais públicos e privados, que orientem os médicos não especialistas a encaminhar os pacientes com alterações comportamentais para psiquiatras ou neurologistas, a fim de evitar falsos diagnósticos. A mídia, por sua parte, deve exercer sua função social e veicular propagandas televisivas que orientem os telespectadores quanto aos sintomas, tornando clara a necessidade do atendimento especializado.