As dificuldades das crianças com distúrbio de aprendizagem de se inserirem na escola
Enviada em 02/08/2020
Na mitologia grega, Zeus condenara Sísifo por tramar contra os deuses, ordenando que ele rolasse uma pedra até o topo de uma montanha. No entanto, devido à sua grande exaustão, a pedra retornava para a base e Sísifo teria a mesma obrigação no dia seguinte, assim, nesse ciclo, durante toda a sua vida. De forma análoga, tal ato faz jus à luta diária da inserção de crianças que possuem distúrbio de aprendizagem nas instituições escolares, as quais se vêem limitadas pela falta de capacitação dos profissionais da área da educação e pela exclusão social constante vivenciada por esses indivíduos. A partir disso, fica evidente a necessidade de medidas para solucionar essa problemática.
Em primeira análise, é possível notar a ausência de profissionais com qualificação na área da educação especial. Segundo o filósofo Friendrich Hegel, o Estado deve proteger os seus “filhos”. Entretanto, através dessa perspectiva, fica explícita a despreocupação do mesmo, no que diz respeito ao investimento de capital na gestão educacional. De acordo com o Ministério da Educação, 50% das crianças brasileiras com dificuldades de aprendizagem chegam ao final do ensino médio com sérios problemas de leitura e escrita, ou praticamente não alfabetizadas. Isso se deve a ineficiência de ensino direcionado a esses estudantes, que não recebem toda a atenção e cuidado específicos da forma que deveriam ser proporcionados.
Ademais, vale ressaltar que a exclusão social vivenciada por esses indivíduos ainda se faz presente na contemporaneidade, haja vista o prejulgamento dos colegas de classe. De acordo com o físico Albert Eistein, “É mais fácil desintegrar um átomo do que um preconceito”. Infere-se a partir dessa máxima que a Declaração Universal dos Direitos Humanos não está sendo seguida de forma sólida, uma vez que todos são iguais perante a lei, porém não são tratados de forma igualitária pelos outros estudantes. Outrossim, a naturalização de atitudes discriminatórias em convívio estudantil, no que se refere a exclusão por parte das outras crianças, são impasses essenciais para a dificuldade da desintegração do preconceito existente, como afirma Einstein.
Em síntese, medidas são necessárias para a inserção de crianças com distúrbio de aprendizagem nas escolas. Destarte, é preciso que o Poder Público disponibilize cursos presenciais aos docentes, instruindo sobre o ensino especializado na área, para que a educação seja inclusiva em todos os níveis. Além disso, faz-se necessário que os meios midiáticos informem a população, por meio de panfletos, reportagens e palestras em escolas e Internet, sobre os tipos de distúrbios e a melhor forma de lidar com o problema em questão. Logo, o Estado poderá proteger os seus “filhos”, assim como propôs Hegel.