As dificuldades das crianças com distúrbio de aprendizagem de se inserirem na escola

Enviada em 02/08/2020

Segundo Aristóteles, “devemos tratar igualmente os iguais e desigualmente os desiguais, na medida de sua desigualdade”, ou seja, pessoas diferentes devem ser tratadas de maneira distintas a fim de alcançarem um mesmo objetivo. Não é difícil perceber, contudo, que essa premissa não é plenamente seguida no Brasil, principalmente no que se diz respeito ao ensino de crianças com distúrbios de aprendizagem.

Nesse contexto, é válido apontar a desinformação sobre distúrbios de aprendizagem como uma importante causa do problema. De acordo com pesquisas da Associação Brasileira de Dislexia (ABD), aproximadamente 70% da população brasileira é portadora de algum tipo específico de distúrbio de leitura e escrita. Nesse sentido, é evidente que, ao contrário do que se propaga pelo senso comum, se trata de um problema que atinge não a minoria, mas a maioria da população.

Além disso, crianças portadoras de distúrbios de aprendizagem mais intensos sofrem ainda mais as consequências de um segundo agravante: o despreparo profissional. Pesquisas científicas sobre distúrbios de aprendizagem vêm ganhando crescente relevância desde a década de 1980 e, apesar de se tratar de uma área relativamente recente da psicopedagogia e ainda apresentar muitas questões em aberto, representa um avanço de suma importância rumo a uma educação mais justa e eficiente.

Portanto, medidas são necessárias para atenuar a problemática. Primeiramente, o Ministério da Educação em parceria com o Ministério das Comunicações deve promover palestras e peças de publicidade que visam alertar pais e educadores sobre distúrbios de aprendizagem e a abordagem correta para lidar com eles. Ademais, disciplinas envolvendo psicopedagogia devem estar mais presentes nas matrizes curriculares de educadores, ampliando suas relações individuais com os alunos e mitigando casos de exclusão e segregação pedagógica.