As dificuldades das crianças com distúrbio de aprendizagem de se inserirem na escola

Enviada em 02/08/2020

“No meio do caminho tinha uma pedra”, o clássico poema do autor modernista Carlos Drummond de Andrade, faz alusão a problemas que o indivíduo se depara no decorrer de sua vida e que podem o impedir de prosseguir. Contudo, mesmo tendo sido escrito há mais de 90 anos, a obra apresenta-se atemporal, visto que as dificuldades das crianças com distúrbios de aprendizagem de se inserirem na escola se mostram como uma pedra no meio do caminho dos brasileiros. Dessa forma, seja pela ausência de profissionais da educação qualificados, seja pela ignorância dos familiares perante aos transtornos apresentados por estes infantes, o problema permanece afetando a população e exige uma reflexão urgente.

Em primeiro lugar, é preciso atentar que uma das causas que corroboram para o problema é a falta de especialistas educacionais que lidem diretamente com pueris portadores de distúrbios de aprendizagem. Segundo a constituição brasileira de 1988, a educação de qualidade é direito de todos e dever do Estado e da família, visando ao pleno desenvolvimento da pessoa. Sob esse viés, a criança  portadora de necessidades especiais que não possui acesso completo e pleno a uma experiência de aprendizagem  de qualidade e com profissionais treinados para auxilia-la, fere à este direito constitucional, além de ter o seu desenvolvimento pessoal defasado. Logo, é substancial a mudança desse quadro.

Ademais, vale a pena ressaltar também que a insipiência familiar por parte dos pais de crianças com este tipo de problema afeta diretamente na evolução do quadro educacional de seus filhos. De acordo com o filósofo Aristóteles, “O homem é um ser social que se encontra inserido em grupos sociais, aonde adquire os meios fundamentais para a sua sobrevivência”. Com base nesta perspectiva, infere-se que muitos pais e responsáveis, ao ficarem cientes dos transtornos de sua prole os privam de frequentar ambientes escolares, contrariando assim a máxima de Aristóteles, tornando-os seres não sociais e os impedindo de adquirir as formas essenciais para a sua sobrevivência.

Destarte, depreende-se que é fundamental à adoção de medidas capazes de assegurar a resolução desta problemática. Portanto, cabe as escolas, em parceria com o MEC o desenvolvimento e aplicação de medidas que visem a qualificação de profissionais que lidem diretamente com infantes portadores de dificuldades de aprendizagem, por intermédio de cursos, atividades e palestras com especialistas deste ramo da educação, com o intuito de formar indivíduos competentes e engajados com a causa destas crianças.  Somete por meio de ações conjuntas que a pedra encontrada no meio do caminho da educação brasileira será contornada e seu progresso retomado.