As dificuldades das crianças com distúrbio de aprendizagem de se inserirem na escola
Enviada em 03/08/2020
Policarpo Quaresma, protagonista de Lima Barreto, tem como característica mais marcante um nacionalismo ufanista, acreditando em um Brasil utópico. Porém, o descaso com as dificuldades das crianças com distúrbio de aprendizagem de se inserirem na escola torna o país ainda mais distante do imaginado pelo personagem. Nessa perspectiva, seja pela falta de conhecimento acerca do tema, seja pelo despreparo das escolas brasileiras, o problema permanece e continua afetando a população e exige uma reflexão urgente.
Em primeiro plano, é necessário ressaltar que o desconhecimento sobre os transtornos de aprendizagem tem papel determinante no cerne da problemática, uma vez que pela desinformação os familiares e professores acabam por confundirem os distúrbios com falta de atenção ou desinteresse. Sob esse prisma, o diagnostico precoce é dificultado, prejudicando o estudante não só em sua vida acadêmica, como também em sua vida social. Nesse contexto, segundo Sêneca “a educação requer os maiores cuidados, pois influi sobre toda a vida”, porém tal cuidado citado pelo célebre escritor do império romano é dificultado pela insciência.
Outrossim, vale ressaltar que as Instituições de ensino brasileiras não são aptas a ampararem alunos com necessidades pedagógicas. Nesse sentido, apesar da educação a todos os cidadãos ser garantida pela Constituição Federal, grande parte das escolas públicas não possui profissionais especializados para lidarem com a identificação e o cotidiano desses alunos. Desse modo, as crianças que sofrem de dislexia, TDAH e autismo, por exemplo, são largadas à margem do sistema de ensino brasileiro.
Torna-se evidente, portanto, a urgência de medidas para alterar o cenário vigente. Para tanto, é preciso que o Ministério da educação disponibilize formação especializada aos docentes da rede pública, a fim de aumentar a percepção destes na identificação dos transtornos e alertarem os pais sobre o assunto, promovendo a inserção dos alunos no meio escolar e social. Além disso, é necessário que os meios de comunicação divulguem à população, por meio de reportagens e documentários, o cotidiano de quem sofre com os distúrbios na aprendizagem, com o objetivo de esclarecer a sociedade e gerar empatia , pois como disse Aristóteles, o conhecimento gera plenitude.