As dificuldades das crianças com distúrbio de aprendizagem de se inserirem na escola

Enviada em 11/11/2020

A série “The Good Doctor” tem como protagonista um médico residente nos Estados Unidos chamado Shaun, que possui o transtorno do espectro autista (TEA), mas isso não o impede de ser um dos mais brilhantes dos estudantes para cirurgião. Dessa forma, nota-se que alunos com necessidades especiais conseguem exercer cargos de alta complexidade quando recebem o suporte necessário, mas, infelizmente, essa não é uma realidade de muitos. Sob tal ótica, as crianças com distúrbios de aprendizagem encontram graves dificuldades de se inserirem na escola, devido à falta de capacitação dos professores e da precariedade de investimentos governamentais.

Inicialmente, os profissionais de ensino não recebem o treinamento preciso para lidar corretamente com estudantes com distúrbios sensoriais e cognitivos. Em consonância com Paulo Freire, o professor é um mediador essencial entre o conhecimento e o aluno. Diante disso, a equipe docente exerce um papel fundamental para o avanço do país, porém nem mesmo ela, às vezes, detém a instrução necessária para auxiliar no aprendizado de crianças com dislexia ou transtorno de déficit de atenção e hiperatividade (TDAH). Nesse sentido, a falta de habilidade dos professores atrapalha na integração e educação desses alunos, os quais, ao verem o ambiente escolar como desconfortável e excludente, podem ter a sua formação profissional e cidadã prejudicada.

Outrossim, a falta de recursos para equipes multidisciplinares nos colégios diminui a qualidade do ensino. De acordo com o artigo 6º da Constituição federal, a educação é um direito social garantido a todos os brasileiros. Por conseguinte, profissionais da área da psicologia, fonoaudiologia, neurologia e oftalmologia são imprescindíveis para o disgnóstico precoce e um posterior acompanhamento de estudantes que apresentem dificuldades na fala, visão, audição, cognição e concentração. Entretanto, raras são as escolas públicas com esses serviços, o que contribuiu para uma postergação do tratamento do distúrbio e consequente agravamento do quadro, por causa disso, há uma má adaptação do discente ao espaço de aula e um déficit no seu aprendizado.

É mister, portanto, tomar medidas que promovam a plena inserção de crianças com problemas sensoriais e cognitivos no ambiente escolar. Logo, cabe ao Poder Executivo municipal melhorar as condições de aprendizagem no ensino fundamental I e creches, por meio da colocação de profissionais da área da saúde física e mental na equipe obrigatória para o funcionamento das escolas, os quais farão análises individuais regulares em todos os estudantes do colégio. Ademais, serão oferecidos cursos gratuitos para os professores da rede pública sobre como ajudar crianças com TEA, TDAH e outros distúrbios. Espera-se, assim, diminuir a sua exclusão e defasagem em relação às demais.