As dificuldades das crianças com distúrbio de aprendizagem de se inserirem na escola

Enviada em 03/12/2020

O poema “No Meio do Caminho", cunhado por Carlos Drummond, retrata as intempéries que surgem na jornada do eu lírico, as quais, metaforizadas como pedras, obstruem o percurso da sua vida. Não obstante, é possível afirmar que a poesia de Drummond possui um caráter atemporal, o que permite sua expansão para o contexto atual: No meio do caminho para escolas que incluam crianças com distúrbios de aprendizagem, existem pedras. Diante dessa perspectiva, é necessário assumir a postura de um geólogo, ao analisar as medidas que precisam ser aplicadas para que as rochas, ora de ineficiência do poder público, ora de uma cultura excludente, sejam levadas ao intemperismo.

Mormente, ao analisar a problemática por uma ótica política, nota-se forte influência da inação governamental na sua permanência. No que concerne o artigo sexto da Constituição Federal de 1988, há a defesa do direito à educação do indivíduo. Hodiernamente, nota-se que esse preceito não está sendo executado no que tange à questão da inclusão de crianças portadoras de déficits cognitivos no âmbito escolar. Essa conjuntura de inatividade do poder público, análoga às ideias do filósofo contratualista John Locke, configura-se como uma violação do “contrato social”, visto que, o Estado não cumpre sua função de assegurar que os cidadãos gozem de direitos insubstituíveis, como a educação que compõe o artigo sexto. Logo, urge que a tese de Locke seja respeitada.

Outrossim, é importante destacar que as providências do Estado apenas serão eficientes, caso sejam atreladas a um novo hábito social. De acordo com o diplomata Maquiável, as leis são impotentes diante dos costumes. Consoante ao seu pensamento, a permanência dessa mazela revela a indispensabilidade da criação de uma cultura de inclusão, ao se considerar que, apesar dos dispositivos legais mencionados possuírem uma postura inativa, não se pode negar a existência de tais estatutos. Conclui-se, desse modo, que a premissa de Maquiável está correta: As leis são insuficientes para reverter esse panorama, torna-se indispensável, portanto, que sejam aliadas de uma mudança de comportamento, através de atos receptivos que facilitem a entrada das crianças no corpo estudantil.

Diante do exposto, torna-se imperativo que tais entraves sejam solucionados. Por conseguinte, cabe ao Ministério da Educação e Cultura - MEC - cumprir as diretrizes constitucionais, por intermédio de uma Conferência Nacional de Educação, a qual terá educadores especializados no assunto, para que haja a universalização de práticas eficientes de educação. Destarte, o artigo sexto será respeitado por meio de professores preparados para lecionar a todos. Ademais, o MEC, em parceria com a mídia, deve fazer campanhas nas redes sociais, com pessoas afetadas por esses distúrbios, a fim de que haja a conscientização da população por um hábito inclusivo. Assim, o caminho tornar-se-á livre de pedras.