As dificuldades das crianças com distúrbio de aprendizagem de se inserirem na escola

Enviada em 18/12/2020

O Transtorno de Déficit de Atenção e Hiperatividade (TDAH) é um distúrbio neurobiológico causado por alterações na região frontal do cérebro, responsável por inibir comportamentos inadequados, pela memória, autocontrole e atenção, acompanhando seus portadores da infância até a vida adulta. Naturalmente, o TDAH é apenas uma das várias formas onde a neurodivergência torna o aprendizado na escola mais díficil, não por a criança ser menos capaz, mas pela predominância de um sistema que não é feito para auxilia-la em suas dificuldades, sendo essa falta de suporte inadmissível.

Assim como TDAH, a dislexia, autismo e discalculia também são algumas das várias formas de neurodivergência, que se encaixa como qualquer um com características neurológicas fora do padrão, e são esses distúrbios que, apesar de aplamente diagnosticados, são poucos os métodos adotados por instituições de ensino para ajudar crianças que, naturalmente, sentem dificuldade em aprender em sala de aula, e, como um método de intervenção, o uso de medicação é muito comum. Os Estados Unidos está entre os países que mais diagnosticam crianças com TDAH no mundo, e em vez de procurarem adaptar os meios de ensino, a solução mais procurada são estimulantes neurológicos, como os rémedios Ritalina e Adderall.

É evidente que a banalização do uso de medicação pesada, e sua introdução na vida de crianças portadoras de TDAH em uma fase muito precoce, pode causar prejuízos permanentes em suas vidas, como mostra o documentário feito pela Netflix, “Take Your Pills”, ou em português, “Tome Seus Rémedios”, que traz relatos de crianças pequenas que começaram a tomar Adderall por recomendação de professores aos pais, por serem criativas demais e não se concentrarem na aula como deveriam.  Similarmente, nos Estados Unidos, é, inclusive, permitido comerciais desses remédios controlados, que prometem aos pais concertar tudo que há de “errado” com a atenção de seus filhos, e transforma-los em crianças produtivas, boas em esportes e obedientes em casa e em sala de aula.

Em conclusão, se torna claro que uma reformulação no método de ensino tem que ser providenciada, e cabe ao Ministério da Educação, usando fundos do governo, oferecer suporte a crianças com dificuldades de aprendizagem, não importa o tipo, oferecendo aulas sobre os vários tipos de neurodivergência, que devem ser implementadas no cronograma escolar de alunos do fundamental 1, das redes públicas e privadas, e o monitoramento das escolas sobre a contínua necessidade das crianças de se medicarem, fazendo esse controle com a equipe psicológica, anualmente, para saber se aquele aluno tem mesmo que continuar fazendo uso de rémedios controlados, visando o bem estar dos estudantes.