As dificuldades das crianças com distúrbio de aprendizagem de se inserirem na escola
Enviada em 02/01/2021
Promulgada em 1988, a Constituição Federal brasileira prevê, no artigo 205, o direito à educação igualitária entre os cidadãos. No entanto, crianças com distúrbio de aprendizagem enfrentam problemas na inserção escolar, o que configura um desrespeito às diretrizes da Magna Carta. Com efeito, convém analisarmos os principais impasses dessa problemática, além de uma reflexão acerca do que esse fenômeno suscita em nosso tecido social.
Nesse contexto, atribui-se aos desafios enfrentados na inserção escolar desse grupo os seguintes motivadores: falta de informação dos pais e despreparo das escolas. Assim, estrutura inadequada e professores desvalorizados constituem a realidade brasileira. Para Amanda Ripley, célebre ativista educacional, não basta investimentos, é preciso alterar o sistema de ensino e prestigiar as particularidades do indivíduo. É, pois, inadmissível que crianças com tais distúrbios não exerçam sua cidadania por conta da incapacidade das escolas em tratá-los adequadamente.
Além disso, a ineficiência estatal em efetivar as previsões constitucionais gera uma alarmante exclusão social. Dessa maneira, compara-se, analogamente, a criança com distúrbio de aprendizagem a um “Cidadão de Papel”, termo cunhado por Gilberto Dimenstein. Na obra, esse renomado escritor elabora uma rede, de forma que os problemas educacionais e de formação do Brasil são interligados, e crava que o brasileiro possui direitos apenas na teoria. Compreende-se, então, que é preciso reformas que promovam a inclusão, na prática, dessa minoria.
Portanto, o governo deve, com urgência, desenvolver um projeto de inserção dessas crianças no ambiente escolar, por meio da realização de diagnósticos precoces nas crianças, seja nas visitas de agentes sociais, seja nas escolas, com especialistas e aparelhagem necessária para verificação de todos os tipos de distúrbios. Ainda, é necessário a realização de palestras informativas aos pais, uma vez que a família é fundamental no processo. Espera-se, com isso, promover mais igualdade no país.