As dificuldades das crianças com distúrbio de aprendizagem de se inserirem na escola

Enviada em 17/04/2021

No universo dos livros “Percy Jackson e os Olimpianos”, criado por Rick Riordan, semideuses jovens eram identificados em meio os humanos em razão de sua dislexia e distúrbios de aprendizagem que, no enredo, seriam o que os fazem ser especiais. Assim como na realidade hodierna, na qual não há preparação para diversidade, Percy é uma criança com dislexia e TDAH que enfrenta as dificuldades de se inserir na escola devido tanto a desestruturação acadêmica quanto o difícil diagnóstico.

Em primeira análise, é coerente enfatizar o notório despreparo das instituições de ensino que não têm o mínimo para associar educação básica e acessibilidade. Consoante a Constituição de 1988, todos têm direito à escolaridade e serviços de apoio pedagógico especialializado em educação especial quando necessário. Entretando, esse direito básico não está sendo cumprido em sua totalidade, haja vista que crianças portadoras de distúrbios de aprendizagem são banalizadas e, muitas vezes, taxadas como desinteressadas. Nesse contexto, instituições de ensino infantil, fundamental e médio devem obter uma estruturação flexível à diversidade metodológica de seus alunos.

Ademais, o difícil diagnóstico de distúrbios de aprendizagem também dificulta na inserção de crianças na escola. Segundo pesquisas da EMCL, a maior dificuldade na alfabetização dos portadores de TDAH é o limitado conhecimento dos pais, sendo assim, um empecilho para a solução da problemática. Segundo estudos avançados da revista científica RDD, distúrbios de aprendizagem são de difícil diagnóstico e impossível, por ora, de diagnosticar precocemente antes da idade escolar da criança. Nesse impase, a estrutura científica brasileira encontra-se despreparada para isso, tornando-se de vital importância o investimento científico no país.

Infere-se, portanto, que ações que devem ser delegadas para preparar o país para a diversidade metodológica de crianças com distúrbios de aprendizado. Para tanto, cabe ao MEC, em sinergia com instituições de educação pública, garantir o direito básico de alfabetização, independente de limitações biofuncionais, por meio de um assertivo projeto de inclusão e flexibilização metodológica da escolas públicas. O projeto visa ampliar os meios didáticos e conciliará com o recrutamento de profissionais pedagogos especializados na educação especial. Paralelamente, cabe ao Poder Executivo atribuir investimentos massivos na área de pesquisa médica de distúrbios de aprendizagem, a fim de incitar a inserção de crianças anteriormente banalizadas e excluídas de seu meio social. Dessarte, somente assim o Brasil evoluirá moral e socialmente como nação, concebendo um espaço onde essas crianças sejam acolhidas, assim como Percy Jackson foi acolhido no Acampamento Meio-Sangue, onde suas limitações são vistas com admiração e aceitação.