As dificuldades das crianças com distúrbio de aprendizagem de se inserirem na escola
Enviada em 18/09/2021
Na obra “Utopia”, do escritor inglês Thomas More, é retratada uma sociedade perfeita, na qual o corpo social se caracteriza pela ausência de conflitos e problemas. No entanto, o que se observa na contemporaneidade é o oposto do que o autor prega, haja vista a presença das dificuldades nas crianças com distúrbio de aprendizagem, no que se refere à inserção nas escolas. Nesse contexto, cabe analisar que essa problemática persiste pelo carecimento de informações necessárias, como também pela destituição da qualificação dos docentes nas instituições escolares.
É importante pontuar, de início que a falta de informação é o principal obstáculo para o tratamento de pessoas com distúrbios de aprendizagem, na qual se confunde com a falta de atenção ou de interesse. Conforme a psicopedagoga clínica Tânia Maria de Campos Freitas, o problema existe desde o nascimento, mas só se torna evidente na idade escolar e em grande parte dos casos, o diagnóstico demora. Além disso, Tânia Maria afirma que identificar uma criança de risco precocemente, poderá melhorar toda a vida dela. Assim, ao constatar uma possibilidade do diagnóstico de distúrbio é necessário que o indivíduo realize uma avaliação especializada com profissionais da área de saúde, como médicos, neurologistas e psiquiatras. Essa é uma medida indispensável, pois a realização de avaliações superficiais tem causado um aumento no número de crianças e adolescentes que são desnecessariamente submetidas a tratamentos medicamentosos e outros imbróglios.
Outrossim, cabe ressaltar o artigo 205 da Constituição Federal de 1988: “A educação, direito de todos e dever do Estado e da família, será promovida e incentivada com a colaboração da sociedade, visando ao pleno desenvolvimento da pessoa, seu preparo para o exercício da cidadania e sua qualificação para o trabalho”. Diante disso, pode-se observar que tal direito não se mostra assegurado na prática, haja vista a carência de profissionais qualificados para a inclusão dos alunos que possuem dificuldades no processo educacional. Sendo assim, estudantes que sofrem com distúrbios de aprendizado são deixados à margem no sistema de ensino-aprendizagem, que pode ser um fator relacionado a queda no desempenho do aluno, devido à desmotivação e frustração com a vida escolar.
Logo, medidas exequíveis são necessárias para conter o impasse. Portanto, o Ministério da Educação, juntamente com as instituições escolares, deve incentivar metodologias específicas de ensino, as quais deverão auxiliar o aluno no processo de aprendizado, através da inovação na sala de aula, com a integração de atividades lúdicas, como a gamificação, e a adoção de ferramentas tecnológicas de apoio ao ensino, com o intuito de estimular ao aluno, a partir de uma maneira despretensiosa a desafiar as suas próprias limitações.