As dificuldades das crianças com distúrbio de aprendizagem de se inserirem na escola

Enviada em 17/09/2021

Na antiga Esparta, crianças com deficiência eram assassinadas, pois não poderiam ser guerreiras, profissão mais valorizada na época. Na contemporaneidade, tal barbárie não ocorre mais, porém há grandes dificuldades para garantir aos deficientes em especial as crianças com distúrbio, o acesso à educação, devido ao preconceito ainda existente na sociedade e à falta de atenção do Estado à questão.

nicialmente, um entrave é a mentalidade retrógrada de parte da população, que age como se as crianças que sofrem de distúrbio fossem incapazes de estudar e, posteriormente, exercer uma profissão. De fato, tal atitude se relaciona ao conceito de banalidade do mal, trazido pela socióloga Hannah Arendt: quando uma atitude agressiva ocorre constantemente, as pessoas param de vê-la como errada. Um exemplo disso é a discriminação contra esse grupo de adolescente nas escolas e faculdades  seja por olhares maldosos ou pela falta de recursos para garantir seu aprendizado. Nessa situação, o medo do preconceito, que pode ser praticado mesmo pelos educadores, possivelmente leva à desistência do estudo, mantendo o deficiente à margem dos seus direitos, fato que é tão grave e excludente quanto os homicídios praticados em Esparta, apenas mais dissimulado.

Outro desafio enfrentado pelas crianças portadoras de algum distúrbio é a inobservância estatal, uma vez que o governo nem sempre cobra das instituições de ensino a existência de aulas especializadas para esse grupo, ministradas por exemplo em Libras além da avaliação do português escrito como segunda língua. De acordo com Habermas, incluir não é só trazer para perto, mas também respeitar e crescer junto com o outro. A frase do filósofo alemão mostra que enquanto o Estado e a escola não garantirem direitos iguais na educação dessas crianças com respeito por parte dos professores e colegas tal minoria ainda estará sofrendo práticas discriminatórias.

Destarte, para que as pessoas que sofrem com algum tipo de deficiência na audição consigam o acesso pleno ao sistema educacional, é preciso que o Ministério da Educação, em parceria com as instituições de ensino, promova cursos de Libras para os professores, por meio de oficinas de especialização à noite horário livre para a maioria dos profissionais de maneira a garantir que as escolas e universidades possam ter turmas para os surdos, facilitando o acesso desse grupo ao estudo, para que a discriminação dessa minoria seja reduzida, levando à maior inclusão.