As dificuldades do acolhimento de refugiados
Enviada em 03/09/2025
A obra, Navio de Emigrantes, de Segall, retrata a migração ocorrida durante a Segunda Guerra Mundial, em que as pessoas viam a fuga do país como uma esperança de distanciar-se da angústia e do sofrimento causados pela guerra. Nesse sentido, apesar da distância cronológica, a emigração continua sendo uma esperança para muitos, entretanto, são encontrados desafios na chegada desses indivíduos em outras nações. Dessa forma, é imprescindível analisar essas dificuldades, como a falta de infraestrutura para esse acolhimento e seu impacto no aumento da desigualdade.
Em primeira análise, cabe avaliar a necessidade de melhor preparação das cidades para o recebimento de refugiados. Nessa perspectiva, a reforma urbana do Rio de Janeiro, de 1903, é uma demonstração da falta de preparo no deslocamento forçado na sociedade, em que pessoas pobres tiveram que ir para subúrbios e morros que hoje são denominadas de favelas, locais de extrema desigualdade socioespacial - falta de saneamento básico, moradias seguras, escolas e entre outros-. Nesse viés, mostra-se como as cidades precisam de um planejamento urbano, como a criação e a reserva de vagas em escolas e empresas para grupos refugiados, a fim de garantir sua integração na sociedade.
Ademais, é válido ressaltar o aumento da desigualdade criada diante desse quadro. Nesse sentido, segundo uma pesquisa da Organização Internacional de Migrações (OIM), apenas 5,5% dos municípios brasileiros tem algum tipo de estrutura para gestão migratória. Por conseguinte, essa falta de serviço especializado resulta no despreparo diante desse cenário migratório, em que esse corpo social chega no país com dificuldades em serem integrados no mercado de trabalho, em encontrarem moradias e possuírem uma condição de vida favorável ao seu bem-estar, causando o aumento da desigualdade social.
Destarte, medidas são necessárias para resolver esse impasse. Dessa maneira, cabe aos agentes municipais - Prefeitos e vereadores - criarem uma equipe de gestão migratória, a fim de aumentar as vagas reservadas para emigrantes em escolas e empresas, por meio de investimentos em novas estruturas e políticas locais. Logo, poderão ser superadas as dificuldades no acolhimento de refugiados.