As dificuldades do acolhimento de refugiados
Enviada em 02/10/2025
Segundo a ativista Simone de Beauvoir, “não há crime maior que destituir o ser humano de sua própria humanidade e reduzí-lo à condição de objeto”. Paralela-mente ao Brasil no século XXI, para impedir tal situação, vê-se a necessidade de de-bater as dificuldades do acolhimento de refugiados. Dessa forma, observam-se du-as problemáticas a serem solucionadas, a invisibilidade social desses sujeitos e a perpetuação de antigas crenças em relação ao assunto.
Sob essa óptica, é inegável que os imigrantes forçados são, muitas vezes, excluí-dos das atividades sociais. Segundo o geógrafo Milton Santos, no espaço urbano, existem minorias relegadas ao esquecimento. Dessa maneira, vê-se que essas pes-soas possuem seus direitos humanos negados ao não serem reconhecidos como iguais em todos os lugares. Isso ocorre, no caso do Brasil, pela escassez de políticas de inserção social, as quais deveriam garantir a integração econômica e cultural de tais sujeitos, porém, devido à inatividade estatal, há a acentuação do pensamento anti-imigração e mentalidades xenofóbicas, como a crença de que os refugiados roubam empregos ou trazem apenas drogas e crimes ao país.
Ademais, a sombra de antigos pensamentos é um dos pilares que dificulta o acol-himento de refugiados no território tupiniquim. No “Estatuto do Estrangeiro” (lei de 1980), adotava-se postura restritiva em relação aos imigrantes e classificava-os co-mo “risco à segurança nacional”. Desse modo, nota-se que há historicamente nega-tivas crendices populares em relação à imigração, que permeiam em uma socieda-de presa pelo preconceito. Além disso, observa-se que grande parte do transtorno social acarretado pelas imigrações possui raízes no racismo, pois enquanto um eu-ropeu é visto como “elegante”, africanos e asiáticos são “ladrões, pobres e passam fome”, ou seja, o “imigrante ruim” é qualquer um que não seja branco.
Portanto, urge mitigar o cenário. Assim, cabe ao Ministério da Justiça e Cidadania, em conjunto com a mídia - ferramenta capaz de informar a sociedade -, instituir programas de conscientização a respeito da importância de acolher os refugiados, por meio de reportagens televisivas que contribuam para a desconstrução de men-talidades negativas acerca desses indivíduos em situação de vulnerabilidade. Tudo isso a fim de resgatar a dignidade de todo o corpo social.