As dificuldades do acolhimento de refugiados

Enviada em 14/10/2026

O filme “Carfanaum”, de 2018, retrata a realidade de Rahil, uma refugiada etíope que enfrenta dificuldades para permanecer legalmente no Líbano e garantir condi-

ções dignas ao filho. Embora ilustrada de forma fictícia, a narrativa ganha verossi-

milhança, tendo em vista os obstáculos enfrentados por refugiados para obter as-

sitência e integrar-se à sociedade. Desse modo, convém ressaltar que a negligência estatal e a xenofobia configuram-se como fatores responsáveis pelas dificuldades de acolhimento desses indivíduos na sociedade.

Em primeiro plano, a negligência governamental configura-se como um dos princi-

pais obstáculos ao acolhimento de refugiados. Nesse sentido, o geógrafo Milton Santos analisa como as desigualdades sociais limitam o acesso de determinados grupos a recursos e oportunidades. Sob essa análise, a insuficiência de políticas pú-

plicas de moradia, saúde e inserção profissional dificulta a integração dos refugia-

dos a sociedade de acolhimento, comprometendo sua dignidade e autonomia. As-

sim, a omissão do poder público contribui para a manutenção da vulnerabilidade desses indivíduos.

Além disso, vale ressaltar que a xenofobia também dificulta o acolhimento de re-

fugiados. Nesse contexto, o filme “Crash - No Limite”, de 2004, retrata conflitos so-

ciais marcados pela discriminação e pelo preconceito racial. De maneira semelhan-

te, refugiados podem enfrentar hostilidade devido à sua origem e cultura, o que di-

ficulta sua integração à sociedade desejada. Dessa forma, a intolerância contribui para o isolamento desses indivíduos e compromete sua inclusão social.

Portanto, cabe ao Governo Federal, por meio do Ministério do Desenvolvimento e Assistência Social, Família e Combate à Fome, em parceria com as prefeituras, am-

pliar o acolhimento de refugiados, mediante o financiamento de abrigos temporá-

rios e de programas de capacitação profissional, a fim de garantir condições dignas de vida e favorecer sua autonomia. Ademais, o Ministério dos Direitos Humanos e da Cidadania deve promover campanhas de conscientização nas escolas e nas re-

des sociais, por meio de materiais informativos que combatam estereótipos e valo-

rizem a diversidade cultural, com o intuito de reduzir a xenofobia e estimular a in-

clusão desses indivíduos.