As dificuldades do acolhimento de refugiados
Enviada em 14/07/2019
A Primavera Árabe foi um importante movimento de busca por direitos e por democracia que, iniciada na Tunísia, espalhou-se pelos demais países do norte da África e do Oriente Médio. No entanto, esse movimento iniciado em 2010 causou extrema instabilidade política nesses países, situação que resultou em grandes crises humanitárias e fluxos imigratórios. Com isso, países que são as principais escolhas dos refugiados enfrentam dificuldades no acolhimento desses imigrantes.
Nesse contexto, de acordo com a Anistia Internacional, uma das medidas mais importantes para viabilizar esse abrigo deve ser o estabelecimento de rotas legais e seguras para esses indivíduos, a fim de mitigar mortes e acidentes durante as travessias por mar ou por terra. Além disso, garantiria a diminuição de campos de refugiados, que deveriam ser instalações temporárias, mas acabam tornando-se permanentes. Entretanto, os principais esforços da União Europeia, principal rota definitiva desses indivíduos, estão direcionados ao fortalecimento e enrijecimento de suas fronteiras, com o investimento de quase três bilhões de euros, e ao impedimento da chegada de novos imigrantes, a partir de pressões ao governo da Turquia, país que atualmente abriga quatro milhões de refugiados.
Ademais, outra dificuldade do acolhimento de refugiados é a boa convivência com a população do país de destino, que, muitas vezes, não é receptiva e tende a ser xenófoba. Uma prova disso foi o ataque a mesquitas na Nova Zelândia em março de 2019, que vitimou cinquenta pessoas e foi realizado por um homem contrário à imigração. Ademais, esse fato desconstrói o mito de que países desenvolvidos são mais assertivos a refugiados, pois expõe que a xenofobia possui um alvo específico, mas múltiplas origens. Com isso, além de geralmente enfrentarem resistência pelo governo dos países, os refugiados sofrem preconceito motivado por questões étnicas, religiosas ou culturais em decorrência da xenofobia dos indivíduos nativos.
Diante do exposto, a fim de mitigar as dificuldades do acolhimento de refugiados, é imprescindível que a Agência da ONU para Refugiados (ACNUR), pressione os governos internacionais para viabilizar as medidas propostas pela Anistia Internacional, a partir de relatórios e tratados entre os países membros. Outrossim, é necessário que as populações sejam conscientizadas a respeito da importância do acolhimento e da empatia com esses indivíduos, por meio de palestras e campanhas ministradas pelo grupo Médicos Sem Fronteiras, por exemplo, que realizam trabalhos em campos de refugiados e imigrantes em situação de risco. Dessa forma, países que são as principais escolhas dos refugiados não mais enfrentariam dificuldades no auxílio dessa parcela mundial.