As dificuldades do acolhimento de refugiados

Enviada em 05/07/2019

A xenofobia remete ao que o escritor Jean Baudrillard abordou em “À sombra das minorias silenciosas”, com a visão de uma sociedade irracional e segregada. Analogamente, a indiferença humana em torno da área social estabelece limites nas relações entre os homens. Essa negligência afeta, inclusive, a população brasileira. É nesse viés que a problemática da falta de acolhimento de refugiados aponta os desvios comportamentais da sociedade nos atuais paradigmas do Brasil.

Segundo dados da Organização Internacional de Migração (OIM), mais de 171 mil imigrantes irregulares conseguiram atravessar o Mediterrâneo até a Europa, enquanto mais de 3 mil desapareceram no mar no ano de 2017. Tais dados evidenciam o descaso governamental e a falta de preocupação dos países acolhedores com tais grupos, contradizendo assim a política de acolhimento de refugiados. Um dos fatores responsáveis por tal descaso é a burocrática da regularização do imigrante no país, tornando assim o número de imigrantes irregulares ainda maior.

Do ponto de vista social, a xenofobia e a marginalização de refugiados são importantes fatores que tornam a vida dessas pessoas ainda mais difícil. O sentimento de superioridade faz com que a população rejeite os refugiados, por medo de concorrência por uma vaga de emprego ou por um leito de hospital. Essa realidade merece considerações importantes, assim como a necessidade de alimento e de moradia para o refugiado. Dessa forma, percebe-se, na área social, uma falência de ideologias que confirmam a visão de Baudrillard.

Portanto, cabe às organizações internacionais, como a ONU juntamente com a OIM, realizar conferências e acordos com governantes de países receptores visando melhorar a infraestrutura de acolhimento, assim como garantir a segurança dos refugiados desde o transporte até a estadia. Políticas de integração de refugiados na sociedade, incentivo ao trabalho e combate ao preconceito também são de suma importância, sendo assim responsabilidade dos governantes de cada país, para que marcas negativas, como o preconceito histórico, não fiquem presas à cultura da população.