As dificuldades do acolhimento de refugiados
Enviada em 07/07/2019
Na obra “Morte e vida severina”, de João Cabral de Melo Neto, é exposta a miséria de um retirante sertanejo que busca melhor qualidade de vida no meio urbano. De maneira análoga, no Brasil hodierno, tal quadro de deslocamento como mecanismo de sobrevivência faz-se uma realidade para inúmeros indivíduos, vista a notória massa de refugiados. Com isso, fica claro o impasse, seja pela insuficiência estatal, seja pela visão civil.
Decerto, o país possui fortes problemáticas. Nesse ínterim, o mau trato do refugiado é manifesto, haja vista a carência de postos de acolhimento nas cidades fronteiriças, de modo a fomentar conflitos, como os vistos em Roraima entre brasileiros e venezuelanos, como reportado pelo G1. Assim, observa-se o rompimento das gestões públicas com a lógica de Thomas Hobbes, a qual pontua o Estado como responsável pela harmonia coletiva, pois, apesar da situação, há a falta de políticas efetivas.
Outrossim, vale ressaltar a mentalidade populacional como grande impulsionadora da conjuntura. Nesse sentido, John Locke, na teoria da tábula rasa, defende o imperativo do âmbito externo na construção comportamental do cidadão. Então, nota-se que a lógica cívica, a qual é intolerante, dificulta a integração do refugiado, porque, pela vivência, os cidadãos reproduzem os elementos do seu cerne, o que resulta em atos xenófobos, como o ataque a um frentista haitiano no sul da nação, como veiculado pelo R7.
Indefere-se, portanto, a necessidade de medidas que revertam o contexto. Nesse caso, cabe às prefeituras, aliadas ao direcionamento de verbas pelo Governo Federal, a ampliação do acolhimento do refugiado, por meio da criação de centros que ofereçam recursos básicos, como alimentação, a fim de atenuar a inobservância governamental. Ademais, cabe às associações comunitárias o estímulo à tolerância com o uso de projetos lúdicos, como amostras fotográficas acerca dos refugiados, para desconstruir a ordem social vigente. Destarte, a realidade de “Morte e vida severina” não será análoga à vida dos refugiados no Brasil.