As dificuldades do acolhimento de refugiados

Enviada em 14/07/2019

Se a arte de fato imita a vida, a música “Diáspora” dos Tribalistas é um belo exemplo. Parte da letra que diz “Atravessamos o mar Egeu, um barco cheio de Fariseus, com os cubanos, sírios ciganos” retrata um pouco a dura realidade enfrentada por muitos refugiados ao redor do mundo que saem de seus países de origem. Porém, ao fugirem de perseguições políticas ou violência em busca por melhores condições, nem sempre encontram condições favoráveis nos países nos quais chegam, sendo submetidos à xenofobia e dificuldades nos países de destino.

Cabe enfatizar, a princípio, o caráter xenófobo dos lugares nos quais chegam os expatriados. Segundo Zygmunt Bauman, a aversão ao diferente e o medo de se misturar com eles é presente na sociedade em geral e é um conceito denominado mixofobia. Nesse sentido, os indivíduos se sentem ameaçados e inseguros pelos que vêm de fora de seus países, por medo de que roubem os seus postos de trabalho ou que aumente a demanda por recursos. Desse modo, a falta de empatia por parte da população contribui para acentuar o quadro de exclusão social dos refugiados, que ficam à mercê da assistência do Estado para atender suas necessidades básicas.

Além disso, a questão da falta de aporte dos países necessário para receber os refugiados é também grande fator problemático. De acordo com a Organização das Nações Unidas, 86% dos refugiados vão para países em desenvolvimento que enfrentam já grandes problemas internos, como fome, desemprego e sistemas de saúde sucateados. Nessa perspectiva, a situação defasada dos que migram ficam pior na medida em que falta ajuda monetária dos fundos internacionais para auxiliar os países com menos recursos a atenderem a demanda por refúgio dos expatriados.

Portanto, medidas são necessárias para garantir o adequado suporte às pessoas que fogem de situações violentas dos seus países de origem. O Ministério da Cultura em parceria com o Ministério da Educação devem produzir documentários e filmes a respeito das trajetórias dos refugiados, de modo a difundir o conhecimento sobre a realidade de tais pessoas para que cada vez mais a população tome conhecimento das histórias e passe a ter cada vez mais empatia por indivíduos em situações tão difíceis como a retratada na música dos Tribalistas.