As dificuldades do acolhimento de refugiados

Enviada em 10/07/2019

Promulgada pela Organização das Nações Unidas(ONU), a Declaração dos Direitos Humanos objetiva definir os direitos básicos do cidadão e promover uma vida digna a todos. Entretanto, observa-se uma ruptura nessa convenção ao analisarmos os grandes movimentos de refugiados, os quais são perseguidos em seu país de origem, em razão de perseguição política e religiosa, e muitos passam por situações precárias e de morte durante esse processo . À vista disso, infere-se que tal problemática é inerente à ascensão de um nacionalismo exacerbado e à falta de assistência mundial.

A priori, consoante a antropóloga Ruth Benedict, “A cultura é a janela pela qual o homem enxerga o mundo”. Dessa forma, é a cultura a responsável por caracterizar as relações interpessoais entre povos distintos,  no entanto, hodiernamente, surge uma cultura nacionalista por todo o mundo, a qual tem intensificado o egocentrismo e a xenofobia, perante povos de culturas diferentes. Assim, esses costumes destroem a noção singular de espécie humana e rotulam os indivíduos dispares como seres inferiores, os quais não seriam dignos de habitar o mesmo espaço da suposta “cultura avançada”. Por consequência, essas ações de cunho individualista geram cenas horrendas, as quais muitos refugiados morrem no processo de fuga e tais fatos são encarados com normalidade pelas pessoas.

Outrossim, conforme o filósofo Aristóteles, a finalidade da função estatal deve ser o bem comum e não os interesses individuais de quem governa. Dessa maneira, a negligência e a corrupção instaurada em diversos Estados ao redor do mundo impossibilitam o acolhimento de refugiados, que acabam em situações de marginalidade pela falta de oportunidades e auxílio no novo território. De modo que essa ausência de assistência, ocasiona o indivíduo a recorrer ao crime e a exploração sexual, muitas vezes de crianças, para sobreviverem e com essas ações são vistos como um problema para a sociedade. De tal modo que o governo impõe políticas de isolamento, como fechamento de fronteiras, em detrimento da ajuda mútua a esses povos, que fugiram de sua terra, por conta da violência e perseguição.

Portanto, para a manutenção de uma cultura livre de preconceitos e uma política acolhedora para com os necessitados, são necessárias mudanças estruturais. Com isso, cabe a Organização das Nações Unidas, por meio de acordos entre diversos países, a criação de projetos culturais, os quais visem trabalhar com a população hábitos comunitários, como a manutenção solidária de campos de refugiados com jovens e com o auxílio de professores, os quais possam explicitar a situação dos refugiados e suas dificuldades, a fim de que haja uma sociedade cônscia. Ademais, assiste a Organização Mundial do Comércio, por intermédio de acordos econômicos, a criação de programas de ajuda mútua para o acolhimento de refugiados, para que esses possam obter melhores oportunidades.