As dificuldades do acolhimento de refugiados
Enviada em 15/07/2019
No descobrimento do Brasil, Pero Vaz de Caminha exprimiu a visão etnocêntrica portuguesa com relação à cultura indígena brasileira nas primeiras cartas ao rei. Analogamente, sabe-se que tal perspetiva se faz presente na análise de culturas estrangeiras e dificultam o acolhimento de refugiados e imigrantes na contemporaneidade. Dessa forma, ocasiona-se diversos problemas sociais que se devem à ausência de alteridade e relativismo cultural.
Primeiramente, a marginalização em favelas dos refugiados relatada pela Organização das Nações Unidas nos últimos anos evidencia o etnocentrismo sobre o qual se debruça a ausência de alteridade. Nesse sentido, o homem moderno analisa a cultura do outro sempre por meio de uma perspectiva cultural da qual está inserido e abre espaço para o preconceito, pois, segundo a antropóloga Ruth Benedict, a cultura é a lente através da qual o homem vê o mundo. Logo, consolida-se uma dificuldade inexorável de se reconhecer no outro, de reconhecer a importância do outro no próprio desenvolvimento como indivíduo em sociedade.
Desse modo, evidencia-se a ausência de análises imparciais no que se refere a outras culturas - o relativismo cultural. Dessa forma, o indivíduo contemporâneo não abdica de sua lente para analisar culturas diferentes e marginaliza aqueles que partilham de outra fé, valores e costumes, dificultando cada vez mais a inserção do estrangeiro em seu meio.
Evidencia-se, portanto, uma grande necessidade de inclusão por meio da alteridade e da análise sem preconceito. Assim, a fim de tornar real o acolhimento de refugiados e a alteridade em território nacional cabe ao Ministério da Cidadania fazer tramitar uma Proposta de Lei que vise criminalizar atos de xenofobia, ademais, cabe ao Ministério da Educação promover palestras sobre a pluralidade e relativismo cultural em escolas e universidades com apoio de Organizações Não Governamentais especializadas no assunto. Destarte, consolidar-se-á um futuro melhor e justo para o estrangeiro por meio da pluralização da cidadania.