As dificuldades do acolhimento de refugiados

Enviada em 25/07/2019

É possível, por intermédio da linguagem simples e coloquial do poema “Tinha uma pedra no meio do caminho” de Carlos Drummond de Andrade, fazer uma analogia a respeito das dificuldades do acolhimento de refugiados. Nessa conjuntura, a problemática atua e repercute no cotidiano dos brasileiros como um verdadeiro obstáculo social a ser superado. Contudo, percalços como a inoperância estatal e a ausência de engajamento cívico dificultam sobrepujar dessa adversidade.

De início, é importante pontuar que as políticas públicas possuem papel fundamental na superação desse revés. Segundo Aristóteles, o Governo deve, acima de tudo, garantir o bem-estar da sociedade. Porém, por vezes, nota-se o descaso das autoridades públicas em relação ao gerenciamento de políticas assistencialistas que facilitem o acolhimento e o amparo socioeconômico dos refugiados. Ademais, de forma comprovatória a essa ideia tem-se a situação do estado de Roraima, onde muitos refugiados venezuelanos são submetidos a condições desumanas e torna-se perceptível que em cenários que nem esse os direitos humanos parecem não vigorar. Nesse sentido, a inércia governamental fere os princípios aristotélicos, haja vista que a não adesão de medidas, realmente efetivas, no combate à realidade em questão pode causar danos e prejuízos à sociedade.

Além disso, a pouca participação cívica contribui para a acentuação da problemática. Consoante aos ensinamentos de Jürgen Habermas, o debate livre e racional entre os cidadãos e o Estado proporciona à sociedade não só melhorias sociais, como também a criação de políticas assistencialistas e assegura principalmente à inclusão social. Dito isso, é imprescindível que a população tome ciência de que o trabalho voluntário, mesmo com toda sua importância social, se não for acompanhado de um debate e consequentemente um envolvimento político não irá gerar frutos concretos, pois conforme Habermas, só o debate e a política possibilitam a transformação da sociedade.

Conclui-se, diante do exposto, que questão das dificuldades do acolhimento de refugiados ainda é um problema a ser resolvido. Sendo assim, com a finalidade de minimizar, se possível erradicar esse mau, urge que o Superministério da Cidadania em conjunto com os Superministérios e Ministérios que podem ajudar na solução dessa adversidade, por meio da captação e excelente optimização dos recursos enviados pelo Estado, promova projetos assistencialistas e políticas de engajamento socioeconômico para os refugiados, com o intuito de integrá-los à sociedade. Ainda assim, parte da verba deverá ser aplicada em projetos que incentivem a participação cívica brasileira com o intuito melhorar a sociedade como um todo.