As dificuldades do acolhimento de refugiados
Enviada em 16/07/2019
A história em quadrinhos “Persépolis” é um relato autobiográfico que se destacou por apresentar os conflitos iranianos, a Revolução do Irã e a Guerra Irã-Iraque, em uma perspectiva bem pessoal. A história percorre da adolescência até a fase adulta da autora, em que precisa lidar com a tensão militar, o que resulta em sua saída do país e a transforma em uma refugiada no Ocidente, que lida diariamente com preconceitos relacionados aos estereótipos, falta de apoio e toda uma jornada de se conhecer fora da sua casa e da sua nação. Sua história não é diferente de muitos refugiados, segundo a ACNUR em 2017 o número de pessoas deslocadas chega a 68,5 milhões, todas elas em busca de acolhimento que cada vez se torna mais difícil pela falta de proporção entre o número de indivíduos e estrutura, além da xenofobia com esses povos.
Nesse contexto, os refugiados são pessoas que sofrem perseguição e por questão de sobrevivência precisam sair do seu país. A eclosão da Primavera Árabe no norte da África e no Oriente Médio resultou em uma deslocação em massa para a Europa, que acolheu em campos de acolhimento que com o objetivo de apenas abrigar pessoas, quando boa parte se integra ao país. Logo, uma estrutura preparada como abrigo para milhares, não está preparada para integrar milhões de indivíduos, tanto por causa da falta da infraestrutura em si, quanto apoio e divulgação de informações desde a chegada. Já no Brasil, existe outra situação que é a da Venezuela que passa por uma crise humanitária, o que levou diversos venezuelanos a atravessarem a fronteira para Roraima, que obviamente não possuía orientação e abrigo para todos.
Além de toda a dificuldade relacionada a integrar esses povos de forma legal, integrá-los de forma social também tem se revelado um desafio. Por causa de certos fatos históricos, religiosidade, características físicas e culturais, existem alguns estereótipos que prejudicam na empatia e acolhimento pela sociedade, como por exemplo a ligação generalizada da religião islâmica com atentados terroristas. Outra explicação são as grandes diferenças entre a população do Oriente e do Ocidente, como aborda a antropóloga Françoise Hésitier, a intolerância está associada à dificuldade em reconhecer condições que nos é totalmente diversa.
Por conseguinte, cabe ao Poder Público visar a integração dos refugiados a partir de campos de acolhimento com infraestruturas boas e funcionários dispostos a ajudá-los com toda a documentação, para garantir que suas admissões sejam corretas e coerentes. Ademais, é necessário que as mídias divulguem as situações que esses povos se encontram, por meio de matérias e entrevistas, com o intuito de desenvolver empatia e aproximar a sociedade a situações como a da autora de “Persépolis”.