As dificuldades do acolhimento de refugiados
Enviada em 13/07/2019
Na série americana “One Day at a Time” é retratado com drama e humor, a história de uma família cubana que emigrou para os Estados Unidos, após a ascensão de Fidel Castro ao poder. Saindo do universo cinematográfico e partindo para uma análise na contexto “real”, geralmente a situação encontrada pelos refugiados são bem diferentes da série retratada acima, pois ao invés do humor tão enaltecido nas telas, o drama possui uma maior participação na vida dessas pessoas. Muitos são vítimas de preconceitos, o que dificulta um efetivo acolhimento e oportunidades de emprego. Dessa maneira, é essencial discutir os impasses enfrentados pelos refugiados que buscam um novo lar.
Analisa-se, de início, que os fatores primordiais para a manutenção de tal problemática residem em uma sociedade altamente xenofóbica e na falta do exercício da alteridade. Segundo o filósofo Nietzsche, em seus estudos e críticas sobre a sociedade, afirma que um dos grandes problemas na relação com os estrangeiros tem origem do feito de querer “assimilá-los” aos modos de ser próprios do país no qual são hóspedes. Ou seja, esta assimilação supõe deixar de lado as “diferenças” para chegar a uma igualdade que sempre é forçada, já que não respeita as particularidades, a partir disso, a xenofobia e o desrespeito a esse povo cresce, dificultando seu acolhimento e desenvolvimento no país que emigrou. Desse modo, os refugiados são vítimas de uma sociedade discriminadora e intolerante.
Pontua-se, ainda, que a problemática se insere na falta de iniciativas governamentais na inclusão e recebimento desse contingente. É notório que a maioria dos países que recebem diariamente emigrantes não possuem políticas efetivas, que proporcione bem-estar e segurança ao grupo, faltando, assim, uma preocupação maior dos governantes em busca de alternativas que reabilite a vida dessas pessoas. Tal despreocupação está relacionado ao fato de que apenas 4% da população mundial vive em um país diferente do local de nascimento original, segundo a Organização das Nações Unidas. Tal fato, reflete as poucas iniciativas governamentais para com os refugiados e sua comodidade.
Compreende-se, portanto, que ações devem ser tomadas em busca dos direitos inalienáveis de todo ser humano. Assim, urge que as Organizações Internacionais se reúnam e organizem intervenções tanto de cunho econômico e social, propondo normas e leis para integração dos estrangeiros nos países que os recebem. Sendo assim, necessário a obrigatoriedade de vagas em empresas e afins para o ingresso dos emigrantes, obtendo, dessa forma, melhores oportunidades e uma melhor e mais saudável qualidade de vida. Não obstante, é imprescindível que o Poder Executivo puna, com multas severas qualquer indício de xenofobia, aplicando trabalhos comunitários nos próprios centros de refugiados, para que desse modo trabalhem o exercício da alteridade e do respeito ao próximo.