As dificuldades do acolhimento de refugiados
Enviada em 16/07/2019
Desde 1951, a Organização das Nações Unidas caracteriza como refugiados aqueles que se encontram fora do país de origem por causa de medos relacionados a perseguições religiosas, racistas ou motivadas por guerras. A movimentação de diversos povos pelo globo é uma realidade presente há muito tempo, entretanto nos últimos anos tem sido crescente em situações de crise. A inclusão inesperada desses novos civis na sociedade gera uma tensão entre os nativos além da necessidade de adequação dessa massa populacional carente pelos governos, que nem sempre se solidarizam com a causa.
No mundo, existem dois lados de uma mesma moeda, civilizações estáveis mesmo diante de episódios de crise, e outras com tensões políticas, econômicas e religiosas constantes. De acordo com o filosofo polonês Zygmunt Bauman, os refugiados simbolizam a personificação do medo, já que estes obtiveram uma pobreza inesperada além de perderem sua segurança e tudo conquistado ao logo da vida. Bauman traz a ideia do “precariado” que seria a caracterização desse nativo ansioso e receoso com o seu futuro incerto, em quem a dificuldade alheia causa repulsa. O contraste escrachado entres essas duas realidades torna a convivência um aspecto árduo indo de encontro com a proposta da ONU de integração total dos imigrantes na comunidade em que estão asilados.
Nesse cenário, é importante salientar que, em função das constantes crises, várias famílias estão continuamente vislumbrando uma fuga rápida da sua atual moradia, consequência da falta de perspectiva de melhora na atual conjuntura política da sua localidade. O deslocamento pode se dar dentro da própria nação ou para países vizinhos, sendo as economias mais desenvolvidas o principal chamariz, contudo, o acesso a esses territórios esbarra em medidas governamentais nacionalistas que veem como desvantajoso o abrigo de imigrante. Esse cenário é bem ilustrado na relação entre um Oriente Médio em crise e uma Europa alvo de imigrantes, que perdeu a sua capacidade de distinguir refugiados de terroristas, após atentados em 2015. Essas barreiras físicas e ideológicas denunciam a contradição de um continente liberal que limita o crescimento estrutural de todos os habitantes.
Portanto, é mister que haja providencias para superar o impasse do quadro atual. Para que exista a inclusão eficaz dos refugiados urge que os países mais ricos, em uma ação conjunta com a ONU, se imponham na tentativa de apaziguar as tensões nas nações em crise. A inserção dos novos residentes como membros ativos da economia para garantir que a moeda gire e que produzam para a nação é a unica forma de apagar o medo descrito por Bauman e transforma assim o contexto social mais diversificado e ao mesmo tempo homogenio.