As dificuldades do acolhimento de refugiados
Enviada em 13/07/2019
Em 1951, a Conferência de Genebra estabeleceu os direitos e deveres entre os refugiados e os países que os acolhem. No entanto, no que diz respeito ao contexto contemporâneo, muitos são os desafios encontrados para a efetivação dessas garantias, uma vez que a crescente xenofobia e a falta de políticas de assistência nas nações anfitriãs impedem que aqueles que foram forçados a abandonarem seus países de origem possam se reerguerem e continuarem suas vidas.
Convém ressaltar, a princípio, o preconceito e a discriminação sofrida pelos refugiados que inviabiliza o processo de integração desses povos. Isso porque acabam tendo suas imagens estigmatizadas e veiculadas aos problemas de seus locais de origem, assim, muitos passam a serem vistos como fontes de crises sociais. Essa realidade pode ser observada no contexto da Europa do século XXI, em que os crescentes ataques terroristas desencadeiam na população o sentimento de adversidade ao acolhimento de pessoas de origem árabe e, com isso, surge uma tentativa de se institucionalizar a xenofobia através da eleição de candidatos a cargos políticos que utilizam esse discurso, como é caso da candidata a presidência da França em 2017 Marine Le Pen. Dessa maneira, esses imigrantes são excluídos da possibilidade de mudarem suas situações socioeconômicas, visto que enfrentam dificuldades para serem aceitos nos postos de trabalho e nos ambientes públicos.
Além disso, é importante salientar o fato de que muitos países acolhedores não possuem estrutura suficiente para abrigar e reintegrar os refugiados. Desse modo, o acesso dificultado aos postos de trabalho, à educação, à moradia e à saúde, por exemplo, faz com que essas pessoas estejam fadadas a marginalização e a dependência contínua de ajudas humanitárias promovidas por instituições como a ONU (Organização das Nações Unidas). Assim, essa situação pode ser vista nos dados do Alto Comissariado das Nações Unidas para os Refugiados (Acnur), que aponta o número de 4 milhões de crianças refugiadas no mundo que não frequentam a escola. Dessa forma, fica claro o descumprimento das nações signatárias da Declaração Universal dos Direitos Humanos com a situação de vulnerabilidade daqueles que foram obrigados a saírem de suas terras.
Portanto, fica evidente, que medidas devem tomadas para amenizar as barreiras impostas aos refugidos. Para tanto, cabe às escolas, como instituição provedora da formação cidadã, promover campanhas, debates e oficinas a cerca da pluralidade cultural, no intuito de incentivar uma cultura de paz e respeito a todas as diferenças e formar futuros adultos mais tolerantes. Ademais, é importante a intervenção da ONU na cobrança dos países membros por atitudes mais humanizadas e na aplicação de penas para as nações que não cumpram esses mandados.