As dificuldades do acolhimento de refugiados

Enviada em 14/07/2019

“No Brasil subtrai-se; somar, ninguém soma”- afirmava o escritor pré-modernista Monteiro Lobato a respeito da consciência individualista nacional. É evidente que as dificuldades enfrentadas pelos refugiados começam nos primeiros aspectos da viagem e continuam durante a integração e convívio social.

Sabe-se que a ONU considera esta a pior crise humanitária do século, sendo este também o maior fluxo de refugiados desde a II Guerra Mundial. Castro Alves, poeta brasileiro, em seu poema “Navio Negreiro”, retrata a letalidade ocorrida no transporte dos escravos africanos. Em pleno século XXI, a situação não é diferente com os fugitivos que atravessam o Mediterrâneo em embarcações precárias. As travessias são normalmente feitas em embarcações de estrutura deficiente e com preços exorbitantes, muitas vezes os exilados têm que vender todos os seus bens e não possuem garantia de que irão chegar vivos ou serem recebidos.

Outrossim, quando os refugiados são recebidos se deparam com a xenofobia. É notório que houve várias ameaças terroristas que se materializam praticadas por pessoas de outras origens. O fato de existir esse fator comum vinculado a ataques e agressões faz com que ele seja um gatilho para xenofobia. O tabu de que “todo muçulmano é terrorista” perpetua-se pela falta de informação e do preconceito com as diferenças. Consoante Helen Keller, escritora norte-americana, “O resultado mais sublime da educação é a tolerância”. Assim,pode-se facilmente deduzir que o primeiro passo para prevenir essa aversão é a aproximação com os estrangeiros, para um aprendizado sobre outras culturas.

Destarte, é indiscutível que medidas são necessárias para solucionar o impasse. Assim, deve haver uma maior pressão por parte Organização das Nações Unidas ao cumprimento dos direitos humanos, desse modo, faz-se necessário campanhas, nas mídias e nas redes sociais, que conscientizassem a população sobre as dificuldades enfrentadas pelos fugitivos e o quanto eles podem contribuir culturalmente para a sociedade. É importante que sejam realizados pelas instituições governamentais programas de integração verdadeiramente efetivos, onde cidadãos comuns realmente conheçam as pessoas que vêm de fora e haja profissionais que possam intervir se surgir algum conflito. Só assim os brasileiros aprenderão, também, a somar.