As dificuldades do acolhimento de refugiados
Enviada em 13/07/2019
Em resposta a perseguições e deslocamentos em massa na Segunda Guerra Mundial, em 1951, na Conferência de Genebra, a ONU decide estabelecer os parâmetros para definir o termo refugiado. O indivíduo em situação de refúgio foi caracterizado, em suma, por estar em circunstâncias de conflito e violência em seu país natal. Atualmente, são mais de 60 milhões de pessoas ao redor do mundo que foram forçadas a deixar as suas casas para fugirem de guerras ou perseguições. Ao deixarem seu país, refugiados passam muito tempo em campos de abrigo, que deveriam ser instalações temporárias mas passam a ser permanentes, possuindo pouca infraestrutura. A urbanização sustentável não acompanha essa demanda em muitas cidades gerando condições precárias para esse grupo.
Em julho de 2019, o Departamento de Segurança Interna dos EUA divulgou imagens de centros de detenção para imigrantes e refugiados com cenas de superlotação e condições insuficientes. Amontoados, cercados por grades como jaulas, com comida e banho escassos, os abrigos foram planejados para abrigar uma certa quantidade de pessoas por até 72h, mas há relatos de que algumas permanecem no local por mais de um mês. Essa situação se repete em outras fronteiras ao redor do globo. A demora para realocar esses indivíduos e para solicitar os pedidos de asilo, tornam o processo lento e penoso.
Os imigrantes são pessoas que se mudaram por qualquer motivo e os refugiados são aqueles que precisaram se mudar pois estavam correndo risco de vida. A ACNUR, órgão da ONU responsável pela questão dos refugiados, fez um levantamento e catalogou que dentre esses 60 milhões de refugiados, cerca de 40 milhões são deslocados internos, pessoas que ainda estão no seu país, apenas fugiram de casa. Esse trânsito inesperado de pessoas dentro do seu próprio país ou de países vizinhos, geram problemas na estrutura de cidades, como o aumento das favelas, por exemplo.
Os refugiados vão, geralmente, para os países mais próximos, que fazem fronteira com seu país natal. Alguns poucos indivíduos vão para países mais distantes, o que aumenta o choque cultural e, em alguns casos, ocorre xenofobia e racismo contra essas pessoas que pediram asilo.
Há, em vista disso, a necessidade de um planejamento dos campos de refugiados que é o primeiro contato de afetividade desse indivíduo e que abrigam muitos deles por um tempo indeterminado, portanto, se forem planejados, pelos governos nacionais de cada país, poderão contribuir para que o contingente de refugiados se torne um ativo. Além disso, cidades que abrigam refugiados ganham em diversidade e crescimento cultural, sendo assim, o acolhimento de refugiados deve ser tratado com a sociedade como uma questão positiva e não de repulsa ou de marginalização.