As dificuldades do acolhimento de refugiados
Enviada em 16/07/2019
A imagem de Aylan Kurdi, criança de apenas três anos, que foi vítima de afogamento em uma praia da Turquia, em 2016, após uma tentativa frustada de fugir da guerra civil no seu país expõe a dura realidade de inúmeros refugiados. Decerto, o acolhimento dessas pessoas representa um desafio para a comunidade internacional, que, na maioria das vezes, parece ignorar seus sofrimentos, seja pela ausência de cooperação mundial, seja pelo forte preconceito. Nesse contexto, é mister o combate a esses entraves para a preservação dos direitos fundamentais desse agrupamento social.
A princípio, convém destacar a cultura de indiferença como um dos elementos agravantes dessa crise humanitária. Com efeito, embora vivencia-se a era da globalização, que, em tese, facilitou um maior fluxo migratório entre os países, na prática, há uma seletividade, que, segundo critérios econômicos, busca impor obstáculos para grupos inferiorizados. Prova disso, é a postura xenófoba dos governos da Hungria e dos Estados Unidos, os quais propuseram a criação de barreiras físicas para restringir a entrada de refugiados nos seus países. Logo, é inconcebível que nações signatárias de tratados de proteção aos direitos humanos adotem comportamento individualista diante das mazelas acometidas a essa minoria social.
De outra parte, as visões discriminatórias também reforçam a permanência dessa situação calamitosa. A esse respeito, a ativista americana Helen Keller defende que o resultado mais sublime da educação é a tolerância. Entretanto, episódios de xenofobia sofridos por refugiados no Brasil, a citar o caso de repercussão nacional em que um homem sírio foi hostilizado por ambulantes no Rio de Janeiro, divergem do pensamento da autora, de modo a demonstrar a face preconceituosa de uma parcela da sociedade brasileira que, paradoxalmente, é reconhecida pela sua boa receptividade, o que dificulta o acolhimento desses indivíduos. Diante disso, o reforço educativo é imprescindível para a fomentação de uma cultura pautada na empatia -capacidade de compreender a realidade do outro-.
Urge, portanto, a importância de ações que alterem esse cenário problemático. A fim de assegurar aos refugiados a oportunidade de reconstruir as suas vidas em um local onde os seus direitos humanos sejam respeitados, cabe à Organização das Nações Unidas(ONU) junto à comunidade internacional acordos de cooperação, por meio dos tratados já firmados, que garantam a imigração em segurança dessas pessoas, bem como agilizar as negociações com os país membros para a concessão de vistos. Em adição, a Secretaria de Direitos Humanos, no Brasil, deve realizar campanhas de orientação da população periódicas, a partir de ficções engajadas que deem visibilidade a esses grupos, visando desconstruir preconceitos. Assim, vidas não serão mais ceifadas pela omissão.