As dificuldades do acolhimento de refugiados

Enviada em 14/07/2019

Na obra “O cortiço”, o naturalista Aluísio de Azevedo expõe, por meio da repulsa sofrida pelos personagens principais, o quão difícil e complexa é a sobrevivência nas periferias do país, graças à falta de apoio da população junto à omissão do poder público. Apesar do avanço dos direitos humanos, essa infeliz realidade se faz presente na contemporaneidade, em virtude da inabilidade do governo diante das mazelas sociais impostas não só aos brasileiros, mas principalmente, aos refugiados que chegam ao Brasil sonhando com uma vida digna, mas em contraste, recebem além do desprezo social, o abandono governamental, sendo assim inseridos na desumana realidade de favelização e miséria.

Sabe-se que a entrada de refugiados em diversos países não é uma invenção do século XXI; especialmente em tempos de crise, como, por exemplo, durante as duas grandes guerras mundiais (1914-1945), milhões de pessoas foram obrigadas a abandonar suas terras natais, com objetivo de garantir não só abrigo, mas principalmente, o direito à vida. Em contraste, países como o Brasil e os Estados Unidos, que recebem milhares de refugiados por ano desde os eventos supracitados, vêm sendo extremamente rígidos e nada hospitaleiros com as pessoas que pedem socorro ao fugirem dos seus países. Este quadro cruel se dá, principalmente, graças ao balanço econômico negativo causado pela entrada de refugiados. Em outras palavras, são muitas pessoas, poucos empregos e, consequentemente, pouca moradia. Segundo a Organização das Nações Unidas, já são mais de um bilhão de pessoas vivendo de forma precária ao redor do mundo graças às imigrações frequentes.

Tem-se conhecimento que a constituição cidadã de 1988 garante não só o direito à vida, como também institucionaliza valores para manter a qualidade da mesma. Não obstante, o governo brasileiro age com imensurável descaso ao não criar políticas públicas efetivas e de qualidade em prol de acolher e apoiar os refugiados, provocando a repulsa da população nativa, além do aumento de desastres ambientais provenientes da maximização das favelas (como, por exemplo, deslizes de terra e eutrofização do solo). Segundo o educador Paulo Freire, “amar é um ato de coragem”, sob esse viés pode-se afirmar que a manutenção da equidade brasileira depende, de fato, da empatia nacional.

Portanto, medidas são necessárias para combater o impasse. O Comitê nacional dos Refugiados deve criar um programa nacional que conte com a construção de grandes campos para refugiados, que ofereçam, além de moradia e alimentação, saúde, educação, acompanhamento psicológico e empregos para que os mesmos possam trabalhar em prol da população brasileira, com objetivo de se inserir nas esferas social e econômica, tornando-os ativos economicamente. Somente dessa forma será possível mostrar ao povo brasileiro que refugiados são pessoas com sonhos e sede de dignidade.