As dificuldades do acolhimento de refugiados
Enviada em 15/07/2019
Em 1951, aconteceu a Convenção de Genebra, uma conferência das Nações Unidas relativa ao Estatuto dos Refugiados, na qual foram estabelecidos os direitos aos indivíduos exilados, bem como as responsabilidades das nações concedentes para com essas pessoas. Contudo, em vista da crise dos regimes de exceção do século XXI, o número de refugiados aumentou consideravelmente, o que ocasionou em uma crise de escala mundial, dificultando o cumprimento do tratado. Diante disso, analisa-se que essa problemática tem origem na xenofobia e na má gestão governamental.
Mormente, ressalta-se que, de acordo com a Organização das Nações Unidas (ONU), na contemporaneidade, há mais de 60 milhões de refugiados que buscam asilo em outros países em busca de uma melhora de vida, mas que, ao chegarem em seus destinos são vítimas de xenofobia e, por consequência, privados de direitos básicos, tais como saúde, emprego e dignidade, acometidos também pela segregação social e geográfica. Nesse sentido, infere-se que essa questão é fruto da ignorância e insensibilidade da população do país “acolhedor”, que por sua vez, deixa-se levar por um sentimento nacionalista extremista e intolerante que descarta as mazelas do outro em detrimento de si.
Outrossim, observa-se que, em termos geopolíticos e econômicos, as nações consuetudinárias de asilo a refugiados estão despreparadas para integrar esses indivíduos na sociedade, especialmente em meio a crises econômicas, como é o caso do Brasil. Dessa maneira, percebe-se essa realidade no livro “O Caçador de Pipas” de Khaled Hosseini, que retrata de forma bastante verossímil a dificuldade que uma família de refugiados afegãos enfrentam para serem inseridos no mercado de trabalho americano, tendo que submeter-se a empregos inferiores a suas formações. Logo, está claro que é necessário um planejamento dos governos para a integração desses povos em seus territórios.
Destarte, está evidente que a crise dos refugiados é uma questão extremamente complexa, além de exigir delicada intervenção que não fira os direitos humanos. A princípio, é preciso que a ONU, junto aos diplomatas de diversos países, faça uma forte campanha publicitária contra a xenofobia nesses Estados, a qual deverá contar com documentários sobre as condições de vida desse público, além de demonstrar estatisticamente que, em comparação aos nativos, os empregos e cultura dos estrangeiros são mínimos, não afetando a hegemonia do país hospedeiro. Além disso, os governos acolhedores devem fazer um programa de educação e revalidação de diploma para asilados, os quais deverão capacitá-los para o mercado de trabalho, de forma que haja uma concorrência justa, pois assim, essas pessoas poderão ter mais oportunidade de emprego e inserção na sociedade. Feito isso, a Convenção de Genebra será apropriadamente posta em prática.