As dificuldades do acolhimento de refugiados
Enviada em 16/07/2019
No auge do regime nazista europeu, durante a Segunda Guerra Mundial, o escritor de origem judaica, Stefan Zweig, refugiou-se no Brasil e admirado com o potencial desta nação escreveu uma obra intitulada: " Brasil, país do futuro “. Hoje, o Brasil recebe uma grande quantidade de refugiados, como os venezuelanos que fogem da fome e da perseguição política, contudo, ao contrário da percepção otimista do judeu, essas pessoas enfrentam uma realidade, frequentemente, precária de acolhimento. Desse modo, é de fundamental importância avaliar como a xenofobia e a questão econômica influenciam na condição de vida desses expatriados que buscam refúgio em nossa pátria.
Em um primeiro plano, de acordo com a escritora Helen Keller: " O resultado mais sublime da educação é a tolerância “. Sob esse viés, observa-se a importância das escolas para modificar o pensamento xenofóbico difundido na sociedade, uma vez que, a prática da alteridade e o respeito a diferentes etnias são estimulados por meio do conhecimento e contato com diferentes culturas. Contudo, o ensino brasileiro, frequentemente, carece de uma instrução orientada às questões sociais, de modo que, o preconceito se perpetua entre as gerações e prejudica a integração dos refugiados, sendo estes submetidos à violência, à condições precárias de moradia e até à empregos compulsórios, sem receber a devida atenção da comunidade.
Ademais, segundo o cientista Isaac Newton :” Construímos muros de mais e pontes de menos”, afirmação validada por dados da ACNUR - Agência das Nações Unidas para Refugiados -, os quais afirmam que atualmente cerca de 70 milhões de pessoas foram obrigadas a abandonar seus lares e cerca de 25 milhões conseguiram obter o status de refugiado legalmente, nesse sentido, observa-se a dificuldade que esse povo enfrenta para ser aceito em outra nação. No Brasil, essa problemática se deve, além das questões xenofóbicas, à crise financeira instaura desde 2008, pois, há um medo de que os recém chegados ocupem as, já escassas, vagas de emprego. Por conseguinte, nota-se o aumento da tensão e aversão a entrada e acolhimento de asilados no país.
Portanto, são necessárias medidas capazes de mitigar a preocupante situação dos refugiados. Para tanto, é preciso que o MEC, com auxílio de ONGs, promova em todas as escolas, palestras e ações educativas, que juntem alunos e as famílias e por meio do ensino e contato com diferente culturas, estimule o respeito à diversidade e a alteridade, além de ensinar a situação dos refugiados e a importância de ajuda-los. Somado a isso, a ACNUR e o Estado brasileiro deve trabalhar para a inclusão dessas pessoas, para que possam trabalhar, pagar impostos e incrementar a economia, além de fornecer acesso à uma vida digna, com escola e lazer. Assim, o país do futuro terá o potencial previsto.