As dificuldades do acolhimento de refugiados
Enviada em 15/07/2019
O médico cancerologista Drauzio Varella publicou, no início deste mês, uma série de vídeos em seu canal no Youtube, nos quais mostra trechos de sua visita a um campo de refugiados sírios no Líbano, bem como o trabalho de profissionais da organização Médicos Sem Fronteiras no local. No documentário, de nome “Drauzio em Campo”, é possível perceber várias dificuldades enfrentadas por essa população, entre elas a falta de planejamento familiar e desemprego. Sendo assim, torna-se necessário o debate acerca das dificuldades do acolhimento de refugiados.
Em primeiro lugar, deve-se notar que, conforme reportagem realizada pelo G1 em 2016, a taxa de natalidade na população refugiada síria presente no Líbano é o dobro da taxa dos próprios libaneses. Segundo o Ministério da Saúde libanês, isso se deve à pobreza, cultura e pouca educação dos sírios, enquanto a socióloga Ugarit Lubnan argumenta que é um reflexo da angústia e uma réplica à perda de entes queridos, ambas causadas pela guerra. De qualquer modo, é um questão que deve ser controlada, pois os refugiados atualmente dispõem de poucos recursos para dividi-los entre muitos filhos, de modo a diminuir a qualidade de vida da família. Em contrapartida, para os países que os abrigam, quanto maior o número de pessoas, mais difícil é recebê-las e abrigá-las da forma devida.
Em segundo lugar, ressalta-se que a maioria do refugiados, em inúmeros países, vivem às margens da sociedade, em periferias ou mesmo terrenos nos quais constroem tendas com os materiais que conseguem por si só, sem empregos formais, à guisa de proteção, saneamento básico e fácil acesso à mercados e hospitais, como o próprio Drauzio ressalta em seus vídeos anteriormente citados. Essa situação é oposta ao que a Organização das Nações Unidas vê como ideal, ou seja os refugiados integrados às cidades em que vivem, de forma a contribuir com ela e desfrutar do que oferecem.
Assim, para amenizar essa problemática, é necessário que os governos dos países que recebem grande número de refugiados realizem um programa de incentivo ao planejamento familiar, por meio de visitas às famílias moradoras dos campos realizadas por universitários das área da saúde e serviço social, de modo que estes possam utilizar a experiência no programa como estágio curricular. Ademais, é importante que os governos locais também criem agências de empregos para refugiados nas cidades onde eles são mais presentes, por meio das quais eles sejam direcionados às oportunidades que se encaixam em suas capacidades e possam prover para si e suas famílias.