As dificuldades do acolhimento de refugiados
Enviada em 16/07/2019
A necessidade de fugir de um lugar é algo que ocorre desde os primórdios do mundo, podendo-se citar a primeira diáspora dos judeos, em Canaan no ano de 740 A.C.. Tal fenômeno pode ocorrer por conta de raça, religião, posicionamento político e desastres naturais; lugares onde a vida e a liberdade das pessoas estão ameaçadas, se relacionando a guerra e violência. O Brasil, apesar de ter uma boa política para a entrada de refugiados, apresenta uma carência no quesito inserção dos mesmos na sociedade local, além de uma grande resistência da população em acolher e respeitar os exilados.
Em 2016, o grupo de pessoas que se deslocou de seus países fugindo de perseguições políticas e guerras chegou a 65,6 milhões, a ONU considera esta a pior crise humanitária do século, sendo este também o maior fluxo de refugiados desde a II Guerra Mundial. Sob essa perspectiva, é necessário que o Estado garanta direitos básicos aos apátridas, entretanto há uma falta de recursos necessários para atender com qualidade até mesmo a população nativa. O brasil, em 2019, vive uma crise socioeconômica que por sua vez acaba por gerar dificuldades na introdução dos refugiados no mercado de trabalho, a falta de emprego os leva a morar em periferias e favelas, os expondo a um grande índice de violência. Ademais, devido à falta de recursos para programas educacionais, as crianças provenientes de outras nações não frequentam a escola, se tornando vulnerável assim ao trabalho infantil e a exploração sexual, de acordo com uma pesquisa do site ‘‘Legalize!’’.
Apesar da maioria dos cidadãos brasileiros serem pardos ou negros, o país possuí uma cultura racista, onde se discrimina até pessoas de diferentes regiões, dentro do mesmo país, como o Nordeste. Com os estrangeiros não é diferente, e a xenofobia se torna presente no dia-a-dia dos mesmos, chegando a extremos como agressões morais, físicas, e até mesmo a morte. A xenofobia é crime, definida pela Lei nº 7.716, de janeiro de 1989. Por isso, atual Lei da Migração garante ao migrante os mesmos direitos que um cidadão brasileiro, assim os crimes não ficarão impunes e ainda ajuda na construção de uma vida justa e digna na nova pátria.
Infere-se, portanto, que o acolhimento dos refugiados necessita ser aprimorado. Com isso, o Estado deve atuar com protagonista na situação, fomentando parcerias do Ministério Público com prefeituras municipais e ONGs, com projetos que assistam e ofereceram os primeiros atendimentos a esses indivíduos, ofertando empregos em áreas onde a mão de obra é escassa, auxiliando assim o crescimento do PIB e da economia. Outrossim, é por meio do MEC (Ministério da Educação), disponibilizando palestras e cursos, ministrados por educadores especializados no assunto, que versem sobre as práticas de acolhimento e solidariedade em respeito a necessidade de outros povos.