As dificuldades do acolhimento de refugiados

Enviada em 17/07/2019

Segundo a Organização das Nações Unidas (ONU), refugiado é aquele obrigado a sair de seu país de origem devido a conflitos violentos que colocam sua vida em risco. Mesmo em situação de vulnerabilidade, são alvos de tratamentos hostis e discriminatórios agravados pela negligência das instituições públicas. Por isso, tal questão merece debates que apontem novos caminhos para reduzir as dificuldades no acolhimento de refugiados, sobretudo no Brasil.

Em primeiro plano, é válido ressaltar que o preconceito étnico constitui-se como fator determinante para a ausência de hospitalidade. Sob esse viés, o antropólogo polaco Malinowski deixou como legado a importância de “mergulhar” na cultura do outro para compreender sua forma de pensar e agir como artifício de combate à xenofobia. Assim, fica claro que as culturas não devem ser julgadas a partir de parâmetros que reforçam as teorias de superioridade racial, as quais são desconstruídas pelo relativismo cultural. Essa ideia, então, precisa ser considerada e difundida, principalmente na sociedade brasileira, cuja identidade tem como berço a miscigenação.

Por outro lado, os esforços existentes para acolher os refugiados são insuficientes em garantir o grande desejo que os guia na fuga: encontrar uma nova oportunidade de viver em segurança. Nesse sentido, a ONU e os governos locais montam campos temporários improvisados e rudimentares que abrigam refugiados e suprem suas necessidades básicas, como local para dormir e alimentação. Entretanto, muitos podem permanecer ali por anos em decorrência de obstáculos financeiros ou de integração ao novo país, relacionados à discriminação - novamente - somada à omissão do poder público. Dessa forma, é imprescindível perceber que a ajuda humanitária vá além da oferta de condições mínimas de sobrevivência: é preciso estabelecer meios concretos que os impulsione a reestruturar suas vidas, tais como emprego e capacitação profissional.

Portanto, os entraves no acolhimento de refugiados só serão atenuados a partir da mobilização real e justa dos líderes de nações anfitriãs, os quais devem agir contra o preconceito e a favor da inserção daqueles. No contexto brasileiro, cabe ao Ministério da Cidadania realizar campanhas capazes de sensibilizar e desenvolver a empatia nos cidadãos por meio de propagandas e distribuição de cartilhas com relatos de experiências vividas pelos exilados. Ademais, esse mesmo setor governamental pode oferecer incentivos fiscais às empresas que destinarem vagas específicas para aqueles que já tiverem seu pedido de asilo regulamentado. Desse modo, haveria um benefício mútuo, pois a absorção de mão-de-obra contribuiria nos ajustes do sistema previdenciário. Por fim, tais medidas serão importantes aliadas na promoção de novas expectativas e no resgate de tantas histórias.