As dificuldades do acolhimento de refugiados
Enviada em 18/07/2019
Segundo o sociólogo polonês Zygmunt Bauman, em sua concepção de modernidade interligada, “o homem é responsável pelo outro, seja de modo explícito ou não”. Ademais, infelizmente essa ideia não se concretiza no atual cenário brasileiro, pois tem sido evidente o descaso social e político em relação às dificuldades do acolhimento de refugiados. Dessa maneira, convém analisar como a xenofobia, bem como a falta de apoio governamental, corroboram para o impasse.
Em primeiro lugar, é válido reconhecer que no âmbito social, a xenofobia se figura como o impasse principal, haja vista que, a população tende a disputar recursos. Tal conjectura representa uma relação desarmônica intraespecífica, biologicamente intitulada competição. Além disso, outro impasse que acentua a xenofobia é a falta de empatia, isso ocorre, pois muitos brasileiros hoje não conhecem a situação em que esses refugiados se encontravam anteriormente, não conseguem, portanto, se pôr no lugar deles.
Outrossim, no âmbito político, o suporte estatal faz-se essencial para a manutenção dos direitos humanos do contingente imigrante. Atualmente, o acolhimento dos refugiados não tem sido administrado de maneira efetiva, pois infelizmente ainda há muitos em situação de rua. Desse modo, cabe ao governo oferecer estadia e amparo judicial, visando a segurança e o acolhimento de pessoas, majoritariamente, obrigadas a sair de seu país natal em meio ao caos. Desse modo, faz-se mister a reformulação dessa postura governamental para que ocorram melhorias.
Depreende-se, portanto, a necessidade de se combater a xenofobia e o descaso governamental. Para tanto, cabe ao Ministério das Comunicações à promoção de palestras ministradas por estrangeiros em praças públicas e campanhas midiáticas sobre a importância da empatia e a situação de rua dos refugiados, para que assim os conhecimentos necessários para compreender a situação desses, sejam passados aos brasileiros. Além disso, Conselho Nacional de Imigração deve, por meio de subsídios estatais, criar ouvidorias exclusivas para os imigrantes, a fim de assegurar-lhes acesso à saúde, à educação e à justiça. Sendo assim, como resultado dessa nova perspectiva, a ideia de Bauman se fará presente e o acolhimento brasileiro quanto aos refugiados aumentará.