As dificuldades do acolhimento de refugiados
Enviada em 25/07/2019
Desafios da crise migratória
É considerado refugiado todo indivíduo que é obrigado a sair de seu país de origem devido a conflitos violentos de cunho político, religioso ou étnico. Em todo mundo o número de refugiados tem aumentado, configurando uma verdadeira crise migratória global e grande desafio para os países que acolhem essas pessoas, uma vez que a xenofobia e carência de políticas públicas dificultam a integração social desses migrantes compulsórios.
Nesse sentido, de acordo com a ACNUR (Agência da ONU para Refugiados), há cerca de 1,6 milhões de venezuelanos, por exemplo, que foram forçados a saírem de sua terra natal, e a maioria se desloca para o Brasil. O portão de entrada fica no município de Pacaraima, em Roraima, entretanto, mesmo com todos os esforços do governo brasileiro em acolher esses indivíduos, parte da população brasileira, especialmente a roraimense, se mostra contrária à acolhida por diversos motivos, entre eles o aumento da criminalidade local e superlotação dos serviços básicos. Esses problemas precisam entrar na pauta da política brasileira com mais veemência, sendo importante que o processo interiorização para outros estados desses refugiados seja mais rápido, visando desafogar Roraima. Um exemplo positivo de país que tem administrado com eficiência a causa migratória é Uganda, na África, mesmo sendo pobre, tem sido modelo no acolhimento dos sul-sudaneses em comparação a outros países de PIB (produto interno bruto) maior que o seu.
Além das questões estruturais que envolvem recepcionar refugiados, existe um outro aspecto negativo que é a aversão dos nativos frente à etnias, nacionalidades e crenças diferentes das suas. Muitos refugiados são hostilizados mesmo após conseguirem trabalho, um exemplo desse tipo de ação aconteceu na cidade do Rio de Janeiro, em que um vendedor sírio foi agredido por um ambulante. Ações xenofóbicas são altamente repudiadas pelo Estatuto dos Refugiados de 1951, uma vez que além de merecer asilo, o migrante compulsório deve ter estar plenamente integrado na sociedade. Não podemos normalizar a crise migratória global, tal gesto configura uma banalização do mal, conforme defendeu Hanna Arendt, que também foi refugiada, a cerca das ações nazistas no Holocausto.
Tendo em vista, portanto, que crise dos refugiados não acomete só o Brasil mas muitos outros países do globo, é importante que as nações incluam em suas agendas governamentais mais políticas de apoio à causa dos refugiados por meio de programas de educação, conscientização e trabalho, visando a incorporação social desses indivíduos, de modo, até mesmo, a inserir a massa de refugiados na população economicamente ativa, gerando uma via de mão dupla para a nação.