As dificuldades do acolhimento de refugiados

Enviada em 23/09/2019

No filme “Capitã Marvel”, dirigido por Anna Boden, é retratado o universo distópico em que os Skrulls -uma raça alienígena perseguida e discriminada- vagam pela galáxia a procura de novos planetas habitáveis. Nesse sentido, a narrativa foca na trajetória de Talos, líder da nação expatriada que busca refúgio na Terra, tendo em vista que seu planeta fora destruído em uma guerra. Fora da ficção, é fato que a realidade apresentada por Boden pode ser relacionada as dificuldades no acolhimento de refugiados na sociedade moderna. Logo, entre os fatores que contribuem para solidificar este quadro destacam-se a xenofobia atrelada às fake news bem como a falta de preparo estatal dos países sede.

A priori, nota-se que a discriminação com emigrantes é extremamente corriqueira e representa um entrave na recepção de povos advindas de zonas de perigo. Isso denota o ineficaz conceito de admissão e refúgio além da integração inadequada dos indivíduos em razão da xenofobia influenciada por factoides virtuais. De maneira análoga, a filósofa Hannah Arendt, alemã judia e também refugiada a maior parte da vida declara que o homem tem sua humanidade esquecida quando não compartilha da cultura dos que os cercam; conceito semelhante a jornada de Talos que teve sua cultura deturpada pelos rivais impedindo a obtenção de exílio devido os pré-conceitos dos planetas que tentava habitar.

Por conseguinte, as políticas de fechamento de fronteiras são adotadas por diversos países que não possuem assistência social insuficiente à demanda exilada. Nesse contexto, conforme os dados da ACNUR -Alto Comissariado das Nações Unidas para os Refugiados- atualmente cerca de 70 milhões de pessoas foram obrigadas a abandonar seus lares por temor pela própria vida e somente 25 milhões conseguiram obter o status de refugiado legalmente. Desse modo, a ausência de apoio e o discurso de repúdio ao terrorismo pressupõem que o nativo encontra-se ameaçado diante a cultura estrangeira são fatores que ferem os Direitos Humanos e o Estatuto dos Refugiados criado em 1951.

Dessarte, frente a provectos fatores discriminantes e insuficiência governamental a dificuldade do acolhimento de refugiados é notável. Portanto, os Ministérios encarregados do atendimento humanitário -como instância máxima dos aspectos de exílio- devem, em parceria com a mídia, adotar estratégias para o controle e diminuição de inverdades e casos de xenofobia. Essa ação pode ser feita por meio da divulgação de informes sobre a diversidade cultural e a importância do respeito às diferenças. Além disso, é necessário enrijecer as leis acerca das notícias tendenciosas e do preconceito ao estrangeiro a fim de reduzir os números de casos. Ademais, a ONU deve auxiliar os asilados e países receptivos a estabelecer melhores condições para absorção do contingente com o fito de garantir a  existência da humanidade -segundo Hannah ausente- a nível mundial.