As dificuldades do acolhimento de refugiados
Enviada em 24/10/2019
Em 2015, a fotografia do garoto sírio morto, Aylan Kurdi, em uma praia turca, devido ao naufrágio da embarcação pela qual fugia do seu país tornou-se símbolo da realidade vivenciada pelos refugiados, desencadeando a atenção mundial para essa problemática. Assim, mesmo quase cinco anos depois, as pessoas continuam arriscando a sua vida em viagens perigosas e insalubres, a fim de sair das suas nações cercadas pela guerra e, portanto, pela violência. Apesar dessa situação ser considerada uma crise humanitária, verifica-se o aumento no nacionalismo e da xenofobia nas localidades receptoras em relação a esses sujeitos, o que dificulta o processo do estabelecimento de uma vida digna para eles. No raciocínio desse contexto, é notável que a busca por sobrevivência e a perda de esperança de melhora nos Estados conturbados pelas guerras faz o ser humano se submeter a itinerários arriscados para alcançar locais mais estabilizados em suas áreas sociais e econômicas do que o seu país de origem. Entretanto, ocorre um embate na recepção desses indivíduos, que, cada vez mais, sofrem com as políticas severas de admissão administradas por cada país, como visto na declaração do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, em 2019, o qual afirmou que o seu país estava lotado e não podia mais receber refugiados, os quais, em sua visão, deveriam voltar de onde vieram, o que vai de encontro com a obrigatoriedade das nações em ajudá-los. Desse modo, mesmo que esses seres consigam chegar nos territórios desejados, encontram-se vulneráveis e desamparados na sua reinserção social. Dessarte, é perceptível como políticas nacionalistas corroboram com práticas xenofóbicas realizadas por parte da população, o que perpetua um cenário de instabilidade social para os refugiados. Dito isso, na série Elite, Nádia é uma garota árabe cuja família deslocou-se para Espanha para fugir da violência do seu país e que, só por esse fato, ao entrar em uma escola de prestígio por meio de uma bolsa de estudos é julgada e discriminada pelos outros estudantes, circunstância vivenciada fora da ficção nesse e em outros âmbitos, como na busca de um emprego, por esses indivíduos. Logo, o preconceito é um grave entrave para o reparo das condições decadentes as quais eles se resignam desde a saída dos seus locais de origem.
Visto que ainda há asilados com seus direitos humanos desrespeitados, novas ações são vitais. Cabe ao Ministério de Justiça e Segurança Pública, por meio da captação dos dados do Relatório Anual do Observatório das Migrações Internacionais, promover a criação de instituições naqueles municípios com maior número de refugiados, dando provisões necessárias para sobreviverem até que consigam se estabilizar economicamente, além de campanhas sobre tolerância e respeito nas redes sociais, para ofertar a esses cidadãos uma vida de qualidade, a qual o menino Aylan não conseguiu.