As dificuldades do acolhimento de refugiados

Enviada em 30/10/2019

No livro “Ana Terra”, de Érico Veríssimo, é relatada uma história na qual a protagonista é forçada a sair de sua terra, por uma guerra local. Ao chegar em seu destino, Ana Terra se depara com dificuldades de adaptação e sobrevivência. Assim como ela, pessoas em situação de refúgio enfrentam tanto o preconceito dos cidadãos locais quanto dificuldades logísticas relacionadas à estrutura do local em que são acolhidos. A fim de solucionar essas dificuldades do acolhimento de refugiados, torna-se necessário entender suas causas.

A priori, sabe-se que o crescente fluxo imigratório cria a necessidade de planejamento urbano, tendo em vista o despreparo dessa região e os problemas decorridos desse. Tal proposição torna-se perceptível ao se analisar o caso em Roraima, no qual, devido à falta de estrutura do local para receber os imigrantes, esses ficaram concentrados em um acampamento. Consequentemente, a insatisfação dos cidadãos locais e o crescente número de roubos fez com que os roraimenses atacassem o acampamento, gerando um problema de proporção nacional.

Ademais, é válido destacar que os refugiados enfrentam problemas e desavenças dos cidadãos locais. Essa problemática se constrói com base no Darwinismo Social: teoria que fundamenta questões raciais em pseudociência. Isso, combinado com outras teorias de dominação, como o “Espaço Vital”, ainda dominam o imaginário coletivo de diferentes povos, como os europeus e os latino-americanos, o que prejudica a integração de diferentes povos e aumenta as tensões nas regiões pluralizadas.

Depreende-se, portanto, a necessidade da tomada de medidas a fim de promover melhores condições de acolhimento de refugiados. Destarte, as prefeituras de cada região, em parceria com o Alto Comissariado das Nações Unidas para Refugiados (ACNUR), devem criar espaços públicos objetivando abrigar as populações refugiadas, com a finalidade de evitar problemas relacionados ao planejamento urbano. Outrossim, cabe a Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (UNESCO) realizar palestras nas escolas visando informar a sociedade a respeito dos malefícios de preconceitos, evitando, assim, a perpetuação da xenofobia. Dessa forma será possível garantir um lugar seguro e adequado para os que fogem de crises humanitárias, evitando que o destino de Ana Terra se repita no mundo contemporâneo.