As dificuldades do acolhimento de refugiados

Enviada em 05/11/2019

Segundo Voltaire, filósofo iluminista do século XVII, a sociedade que é movida por questionamentos acerca das suas dificuldades, tende a superá-las com mais facilidade. Entretanto, a realidade brasileira distancia-se desse conceito, pois é notória a falta de questionamento acerca de não só a falta de investimento do Estado, mas também o desinteresse social frente a vida dos refugiados no Brasil. Logo, é de urgência que ações imperiosas sejam tomadas pelo poder público e pela sociedade na direção da resolução das dificuldades do acolhimento de refugiados.

Deve-se pontuar, de início, que a situação dos refugiados se encontra defasada pela falta de investimento direcionado do poder público. De acordo com o filósofo grego Aristóteles, a União deve se preocupar primordialmente em conceder direitos e em assegurar uma vida justa aos cidadãos. Contudo, a falta de moradia e acesso ao mercado de trabalho para os imigrantes é uma das provas de que há displicência governamental no que tange ao aporte da problemática em questão. Logo, a falta de habilidade do governo em direcionar e em gerenciar investimentos nessa área traz como consequência absurda a omissão de direitos básicos do cidadão à sociedade imigrante.

De outra parte, consoante o sociólogo polonês Zygmunt Bauman, em seu renomado livro “Modernidade Líquida”, a velocidade é a característica primordial da pósmodernidade. Partindo desse prisma, com a correria do dia a dia, a população tem sua atenção dividida e não se atenta devidamente à triste situação dos refugiados. Tal problema assume contornos específicos no Brasil, posto que os imigrantes são marginalizados e chegam a sofrer xenofobia. Logo, a distração social exacerbada ocasiona na falta de ações corretivas frente à problemática exposta e, consequentemente, proporcionando a perpetuação das dificuldades do acolhimento de refugiados.

Urge, portanto, que a Organização das Nações Unidas, ONU, com apoio da União, invista em política públicas que reservem uma porcentagem de vagas trabalhistas em todos os setores públicos brasileiros de trabalho, além de garantir moradia de qualidade em estabelecimentos de projetos sociais, por meio de projetos de lei que serão enviados ao Poder Executivo com o fito de que as leis sejam colocadas em prática. Assim, os imigrantes não ficarão à deriva. Ademais, é dever da coletividade cumprir com o seu papel social de acolher e respeitar os refugiados por meio da adaptação mútua dos indivíduos para que não ocorram episódios xenofóbicos e preconceituosos para com os imigrantes. Dessa maneira, os refugiados não serão colocados à margem da sociedade e viverão em harmonia com os brasileiros.