As dificuldades do acolhimento de refugiados
Enviada em 25/04/2020
Consoante Zygmunt Bauman, sociólogo polonês, a falta de solidez nas relações sociais, políticas e econômicas denota a “modernidade líquida” vivida hodiernamente. Assim, essa assertiva faz-se notória ao analisar a questão dos refugiados no mundo contemporâneo, comunidade que enfrenta dilemas prejudiciais ao bem-estar humano. Diante do exposto, pode-se elencar a xenofobia e o descaso governamental como responsáveis pelo quadro.
A princípio, é válido frisar que, conforme a Convenção dos Refugiados, esses povos são assim denominados devido a migração do país de origem à outras nações por conflitos sociopolíticos. Nesse contexto, o físico ativista Albert Einstein dissemina um pensar no qual afirma ser mais fácil desintegrar um átomo que um preconceito enraizado, assertiva vista ao analisar a questão dos refugiados, uma vez que esses sofrem com a aversão da sociedade que vão se inserir, impedindo que os estrangeiros tenham uma vivência plena e, consequentemente, humanitária.
Ademais, a inércia dos governantes – que de acordo com a 1° Lei de Newton não deseja mudar o estado em que se encontra – é um fator que contribui demasiadamente para o desamparo aos refugiados. Dessa forma, a escassez de políticas públicas de caráter inclusivo e investimentos em setores de acolhimento físico marcam uma negligência na garantia dos Direitos Humanos, declarados pela ONU em 1948, o que cria um âmbito desumano para os expatriados, já que esses ficam sujeitos a condições de desabrigamento, precarização da saúde e declínio econômico.
Infere-se, destarte, que para o abandono da liquidez apontada por Bauman é mister a intervenção do Estado na inclusão cidadã dos refugiados, por meio da elaboração de um Plano de Metas, feito pelo Poder Legislativo, que busque construir uma nação preparada para os quesitos migratórios. Essa ação, orientada pela Convenção dos Refugiados, deve conter em sua base a criação de programas sociais e abrigos para a população refugiada, além de ser propagada por profissionais da educação nos diversos setores socioeducativos, visando a assistência e o respeito direcionados a esse povo. Em síntese, a implantação dessa medida, objetivando o bem-estar geral, garante, indubitavelmente, o distanciamento da realidade abordada por Einstein, além de edificar um país que fornece de forma igualitária os privilégios da cidadania para sua população e, por conseguinte, assegura os Direitos Humanos promulgados pela ONU.